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31 de agosto de 2008

Terminar na solitária

por Carolina Fellet


Não sei para que ter um companheiro,
Ainda que escolhido a dedo.


Em vez de flores,
Boa programação,
Aprendizado,
E perfume original,
A necessidade de se aniquilar.


Entupir-se de hormônios,
Para saciá-lo e não engravidar;
Falar bem baixo para evitar vexame;
Maquiar-se sempre;
Penteado em dia;
Depilação exímia.


Em vez de prazeres intempestivos,
Uma mensagem atrevida.
Ou uma ausência,
Uma indiferença própria do invisível.


Não sei para que ter um companheiro.
Se é sempre um indivíduo,
Do mesmo jeito,
Irredutível e cheio de tique da cultura da casa dele.


Um cara que não se reinventa
E nem tenta,
Porque sabe que será um fracasso.


Todo mundo tem um companheiro.
Será que é para tirar um bom proveito,
E saciar as demandas primárias,
Sem que termine na solitária?

20 de agosto de 2008

Seja um funcionário público! Salário inicial de R$3579834798,00

Por Carolina Fellet

Os chimpanzés e os seres biônicos –
Estes mantidos a tecnologias para se embelezar,
Para se informar,
Para se higienizar –
Possuem a característica vitalícia que consta no DNA,
E que implica o instinto de sobrevivência.


Enquanto os primeiros se matam para saciar os instintos primários,
Os últimos se matam para saciar os instintos primários.

E para que isso seja possível hoje,
É preciso ingressar-se no funcionalismo público.


Ainda que você faça um curso técnico de corte e costura no Senac,
Não perca tempo:
Assim que sair o edital para o concurso de costureiras do Senado,
Inscreva-se.

16 de agosto de 2008

Marmitex

Por Carolina Fellet

Olimpíadas em Pequim,
A beleza biônica de um saradão,
Declaração de amor que deveria ser inviolável,
De repente,
Disseminada no Orkut.


Metástase,
Quanta metástase.
Vamos curar essa patologia dos excessos.


Prefiro a moda dos monges reclusos
A essa exposição com superestima.
Ahhhhhh
Uhmmmmmmm,
Respire fundo.
Vamos meditar!
Você consegue ser politicamente incorreto,
E não usar piercing,
Dispensar a tatuagem,
Prescindir do encher a cara.

Nesta mistura estão todas as minhas químicas de protesto:
Do presidente ao caso de incesto na província,
Da decadência literária ao cheiro de xixi em Juiz de Fora,
Do beijo que eu não lhe roubei em momento oportuno
À briga que não causei em hora imprescindível.


As matérias dos telejornais do SBT são muito curtas,
E o jeito aleatório do Silvio Santos me alegra.


A seriedade estúpida de quem é sério
E desconhece que se é perecível me incomoda.
E muito.


10 de agosto de 2008

Você vem sempre aqui?

Por Carolina Fellet

Carona depois de um bate-papo falsamente despretensioso.
Três dias de avidez,
Quase um inventário de angústias.
Mas, antes que ele acontecesse, o telefonema:
- Garota, adorei conhecê-la.
A gente pode fazer alguma programação nesta quinta-feira.


Premeditados.
A fim de não dar foras,
De surtir boas impressões
E reverberar a sensação de entusiasmo incipiente.

Saem amiúde,
Até o momento em que se sentem despidos do zelo,
E, portanto, à vontade e leves,
Com a espontaneidade parida pelo convívio.

31 de julho de 2008

Escatologia

por Carolina Fellet

Fui ao centro espírita,
Não em busca de altruísmo
Ou de outras utopias.
Mas a fim de melhorar minha misantropia.


Ao meu lado, sentou-se um homem
Que não conseguiu se concentrar na palestra.

Em devaneio com a própria desatenção,
Ele enfiou um dedo dentro da boca,
E lhe retirou os escombros do que havia comido.


Fui ao centro espírita para tratar minha misantropia,
Mas não agüentei a cara impecável do passista.

28 de julho de 2008

Tantas bocas

Por Carolina Fellet


Meu interior são bocas famintas,

Que ingerem – sem higiene –

O que lhes vem à frente.

Imediatamente,

Comi seu jeito,

E ele se contemporizou ao meu conteúdo:

Sou agora um transgênico.

27 de julho de 2008

Zilda

por Carolina Fellet

Sob a lascívia de dois jovens pobres,
Unidos por frisson e falta de perspectiva,
Iniciou-se a materialização de Zilda.


Zilda veio à luz como um equívoco.

Em esquinas com caixotes,
Paredes engolidas por matagal,
Bancos de praça,
Debaixo de decotes e fragrância do Avon,
É que os pais da mulher se encontravam.


Um belo dia, o ciclo - pontual -
Sempre em dia,
Não veio.
E o receio se confirmou como certeza:
É gravidez!


A falta de perspectiva aumentou seus índices,
Enquanto o frisson se rendeu ao caos do inesperado:
Mais uma vida para se abrigar no barraco.


Diante de lutas e lutas e lutas,
Zilda conquista sua subsistência:
trabalha em casa de família,
é babá por uns dias...
Vive salpicando alegrias.
Sempre em dia com a Vida.

Póstumo

por Carolina Fellet

Acabo de expelir mais um conflito.
Meu silêncio sucumbiu à minha inquietação.
Num espirro,
Velei mais uma revolta.


Observo a dimensão, o conteúdo -
O defunto inteiro do meu mal.


Por que insisto em visitar o cemitério,
Em vasculhar os inventários dos meus próprios cadáveres?

17 de julho de 2008

Felicidade química

Por Carolina Fellet

O homem viola, logo cedo, uma ampola cujo conteúdo me é desconhecido.
Contemporiza o líquido em uma seringa,
Este entra, então, no fluxo de veias e correntes sangüíneas.


E a coisa se esparrama pela entranha dele.

E ele sorri alegremente,
O dia todo.


Assovia no ônibus,
Socializa com as funcionárias da padaria,
Faz festa de milho para os pombos,
Dá gorjeta pro soropositivo.


No outro dia,
Sob a rejeição da naturalidade,
Ingere humor farmacêutico,
A fim de suportar o dia.

Como adestrar o vento?

Por Carolina Fellet

Delimito minha área:
500m² de casa.

Espalho meu universo inanimado.
Sobre uma das mesas,
A estátua de uma gueixa.

De longe, trazendo arruaça à minha casa,
Vem vindo o vento;
Cão sem dono, sem bom-senso.
Ele passa corrido,
Sobre um tapete que desafia a gravidade,
Desliza.


Me olha de soslaio,
E,
Quando eu saio,
Ele deposita escombros de outros lugares
Sobre meus livros, sobre a gueixa.

O vento é uma vida ousada,
Que invade – a passos de gato –
Nossa casa.


Só que em vez de furtar as coisas,
Deixa todo o peso de que o incumbiram...
O vento quer mais é ser livre.
E não acumular riqueza alguma.

15 de julho de 2008

Palco

por Carolina Fellet


O tamanho da platéia é inversamente proporcional à qualidade do artista.

Era Cerebral


Por Carolina Fellet
Não se pode esperar muita coisa desses galanteadores que, num tempo como este, em que o cérebro e suas mímicas – ipods, PCs moderníssimos, celulares, MP7 – é que são a tônica de tudo, insistem em atender simplesmente a necessidades primárias do bicho bípede.
Portanto, o mínimo que essas pessoas merecem é a nossa misericórdia.

12 de julho de 2008

Misantropia

Por Carolina Fellet
Não sei que cara uso para entrar na fila.
Para a chegada,
Para a saída.
Que cara eu uso para pedir um emprego.

Não posso fazer a cara das minhas idiossincrasias.
Isto repeliria toda a gente,
Toda a candura,
Todo o efeito plástico perfeito.

Vou olhar para um único ponto,
Para o inanimado,
Rodar em sentido anti-horário,
E me desfazer do ego,
Para fazer a cara ideal.


E depois, quando eu estiver em casa,
Haja ressaca de carnaval.

11 de julho de 2008

Aniversariar

Por Carolina Fellet
Já faz vinte e três anos que o Tempo está em dia com a minha manutenção.
Enquanto a maioria das pessoas – movidas por superstição –
Freqüentam médicos,
Eu agradeço ao Firmamento pela minha perpetuação aqui.

9 de julho de 2008

A professora

Por Carolina Fellet
Ao que parece à aluna,
Cada acessório da professora –
Cacharrel, bota cano alto, casaco acolchoado –
É aconchegado por uma colônia de apreços.
Quanta demora para se chegar à cor do dinheiro.

7 de julho de 2008

Feriado Cerebral

por Carolina Fellet





Desde que Arlete veio à luz, já lhe estava predestinada a maternidade, através de uma fertilidade infalível.
Por sorte, antes de o destino materializar-se em Luiz, o primogênito, a mulher aguçava as conspirações metafísicas com o grande desejo de ser mãe que possuía.
Quando se tornou mãe, os rodamoinhos do Tempo lhe impuseram uma renúncia integral às próprias idiossincrasias e a impeliram ao altruísmo de conduzir outra vida.
Arlete afasta-se da proposta cerebral atribuída à condição humana e passa a viver um vegetal que apenas usa dos recursos vitais que lhe foram outorgados para cumprir o papel da existência: locomove-se, amamenta o filho, vai de um canto a outro, emite sons para refletir o tédio que lhe penetra em agulhadas invisíveis.

Alistamento

por Carolina Fellet


Nunca consegui pousar-me de corpo inteiro sobre o conteúdo do cotidiano. Quando este me requisita para cumpri-lo, eu adio a vida e fico atônita diante da minha inabilidade para as ciências exatas.

Adriana Calcanhotto

Por Carolina Fellet

Adriana Calcanhotto, em pele e osso,
Não namoraria um Mr. Testosterona.

Caso o fizesse,
Injetaria nele ampolas e ampolas de estrogênio.
Não para que ele desenvolvesse seios,
Mas para salientar o talento à transgressão sentimental do rapaz.

No palco, ela abre mão do salto,
E o compensa com a inteligência
Estendida em versos, musicalidade
E a dicção exímia que lhe é inerente.
SuperStição.

Adriana não casa com Mauro,
Um adepto da Harley Davidson,
Embora se desperte a um grisalho que aprecia doces da Confeitaria Colombo.

6 de julho de 2008

Pequeno veredicto do amor


por Carolina Fellet

É final de semana. Flaviano e Angélica decidem sair como forma de respeitar as burocracias comuns aos namoros.
Acovardar-se, em vez de contemporizar às máximas do romantismo, por vezes, parece impelir Angélica a fazê-lo. Afinal, produzir-se, perfumar-se e arrumar enredos demandam muita concentração. E, a uma mente perturbada perante a incumbência de existir diariamente, isso é uma dissonância estridente.
Saem.
Beijam-se.
Balbuciam umas inverdades um ao outro.
O ciúme vem à tona mutuamente.
Discutem.
Perdoam-se.
E o aborrecimento reverbera pela psique de Angélica por alguns e intensos momentos, e ela aborta a possibilidade de amar quando completa vinte e oito anos.

5 de julho de 2008

Lei Seca no trânsito brasileiro
Por Carolina Fellet
Estou exageradamente contente!!!
A ponto de querer salpicar confete sobre todo o asfalto que me vier à frente.
Porque a selva à high tech agora será contemporizada ao mundo civilizado.

O que ainda falta no Brasil é a punição ao crime de Gramaticida.
Daí, sem dúvida, a poluição sonora iria diminuir drasticamente.
Porque aS MENINA, a MENAS, a LARGATIXA e o FRUSTADO
Iriam pagar penitência em algum claustro que não nos chegaria aos ouvidos.

4 de julho de 2008

Hotel 5 estrelas

Por Carolina Fellet

Hospedar-se fora do lar é uma apologia ao desprendimento. Porque, de repente, abstém-se da intimidade da própria casa e se acomoda em um lugar cujos móveis e acomodações exercem apenas as funções que lhes convêm, sem incitar nada àqueles a que servem.

1 de julho de 2008

O Feminismo e o Duto

por Carolina Fellet



As mulheres quiseram atingir a igualdade dos sexos e, para lhe chegar, ousaram em atitudes múltiplas. Dentre as quais, transformar as repartições da vulva em uma única área destinada a recepcionar uma leva de pênis. Em vez de acumular funções, a vulva transformou-se e reduziu-se a pênis-duto.

27 de junho de 2008

Brasileiro Padrão


Por Carolina Fellet
O homem brasileiro é um iogue em se tratando da capacidade de se contorcer a fim de olhar a bunda de alguma mulher que lhe passa.
Ele coça o saco.
Fala alto à beça.
Arrota e cospe.

Ocupa uma via e meia para transitar com o carro.
O homem brasileiro é condenado
pelo Inmetro das boas maneiras.

24 de junho de 2008

Morre a ex-primeira dama do Brasil, Ruth Cardoso

por Carolina Fellet

Espanta-me a morte ser notícia.

Qualquer deslize do comum é que é digno do formigueiro das mídias: mulher que engravida aos 60, assassinato de criança, estupro, mulher com quatro braços etc. Morrer é a finalidade infalível da Vida.

Por que, então, noticia-se a morte, se ela existe desde tempos que nossa consciência já não alcança?

Déjà-vu

Por Carol Fellet
Tudo lhe parece íntimo.
O talhe das rosas. A antiguidade dos céus. A América do Norte. O layout do ser humano. O gosto da laranja.
Irene deixa a vida se lhe posicionar, sem que a primeira aparente grandes reações – porque “existir” lhe parece velha de guerra.
Por que é que todos se resignam, em vez de se espantarem com o espetáculo perene com que a vida se apresenta?

O SEDENTARISMO DO SÉCULO VAI PARA...


por Carol Fellet

O sedentarismo do século não vai para as crianças que comem hamburgers no intervalo do colégio e são perseguidas pelo colesterol, nem para os funcionários públicos que ficam hibernados em suas repartições.
O sedentarismo do século vai para os olhos dos internautas e telespectadores compulsivos, já que eles desmobilizam músculos dos olhos que são imprescindíveis para a leitura... Daí, o livro e as formas impressas que veiculam conhecimento ficam ociosos, refletindo a ociosidade de seu pretenso público.

17 de junho de 2008

Chique

por Carolina Fellet

Ser chique não está no o quê se veste, mas no como se veste; não no o quê se come, mas no como se come; não em quantas línguas se falam, mas como se fala.

16 de junho de 2008

Ave
Por Carolina Fellet


Num dia casual, W. Halfeld – neste instante livre de nome e de qualquer status que repercuta no mundo material – perde-se no tempo do banho.
Aproveita da oportunidade de reclusão para lavar os azulejos que estão opacos devido à indiferença e voar – sob as asas invisíveis da consciência humana – ao mundo óbvio e incompreensível em que vivemos. Óbvio porque toda a vitalidade chega-nos inteligível aos cinco sentidos, e incompreensível já que nenhum ser humano é capaz de esclarecer os bastidores da vida.
Depois de recolher suas asas e voltar a sentir a temperatura da água, a qual se estreita feito filetes de chuva biônica – modelada pelos parâmetros do chuveiro, W. Halfeld não se identifica com o bípede ereto e nu, cuja existência parece reduzir-se a corpo, àquele instante. E, de repente, vê-se de fora, conforme um animal irracional por cujos corpo e essência transita a vida, sem que o bicho se atente a ela.
Nessa perplexidade de reduzir-se à função de vegetal é que Deus está alojado. Como outros efeitos sem corpo que refletem absurdamente no dia-a-dia da nossa química.

14 de junho de 2008

TEXTOS DA EXPOSIÇÃO METABOLISMO


por Carolina Fellet
Compromisso 1: Os brigadeiros


Ana Sofia não premedita nada.Comum à idade: ela tem apenas oito anos.No aniversário da Cíntia – a coleguinha de turma a quem Ana é mais apegada – esta comeu doze brigadeiros. Ao voltar da festinha, além dos doze brigadeiros para o metabolismo metabolizar, houve uns xingamentos de dona Maria Gloria, sua mãe, devido à hora a que Sofia voltou para casa – de carona com o avô de uma das convivas.
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No reino sem aparência onde vive, o Metabolismo se queixou da quantidade de coisa para processar:- São 12 brigadeiros com 2 centímetros de raio cada um, e como se não bastasse, todas as palavras esdrúxulas dessa senhora desequilibrada. Não estou agüentando esta sobrecarga de trabalho. Vou recorrer a um estagiário, ainda que ele demore muitos anos para decompor qualquer substância que lhe chegue como incumbência.

por Carolina Fellet

Palavra

A todo tempo a massa encefálica transforma tudo o que é visto em palavra.
Haja metabolismo:
POSTE. TRANSEUNTE. VIRA-LATA.
por carolina feLLet
Silvio Santos

O programa Silvio Santos possui acordo vitalício com a substância do riso.
Porque toda vez que eu lhe assisto,
Quanta gargalhada processa o meu metabolismo.

por Carolina Fellet

Tristeza

Luiz Marcelo acaba de sair de um funeral.
Do estopim de seu canal lacrimal, custosamente, materializa-se uma tristeza antes embutida, e que agora hidrata o rosto e desemboca salgada na língua.
por Carolina Fellet
Vovó Natividade

Num pé, sapato dourado.
No outro, um tênis Nike®.
O som que desemboca na boca não mais diz nada:
Perdeu o adestramento das palavras.
Os olhos assistem a um espetáculo invisível que excede o tangível.
Vovó enterrou, num cemitério clandestino, todo o seu discernimento.
Hoje é um laboratório da excentricidade do mundo
.
por Carolina Fellet
Amarelar


No meio da selva uma onça está grávida, quase dando à luz.
É preciso a metafísica agilizar seus amarelos para arrematar essa cria que está por vir.

Estresse

O Bené tem míseros vinte e um anos e o Cosmo já está processando sua calvície.
Bené está preocupado em perder a namorada,
E como se não bastasse,
Não mais fazer sucesso entre as gatas.

O que resta a ele é a fé – adquirida a atropelos do fôlego.
Ele reza todos os dias invocando a todo o Invisível que lhe dê pêlo,
Pelo amor de Deus,
Ou que, pelo menos, maneire na devastação.
por Carolina Fellet
Para se comer em público

A aranha, seja por seu aspecto peludo, seja pelas ameaças que carrega sob seu corpo, é temível por todas as faixas etárias.
OPA! Eu me perdi no meio da confusão que impera nesta sala de aula e deixei minha imaginação falando sozinha.
A sorte é que minha memória abocanhou o que aquela dizia. Era da habilidade de a aranha tecer sua teia e deixá-la arquitetonicamente sem pecados.
Quanta técnica ela acumulou para atingir o ápice da habilidade de joão-de-barro.
Depois, me vem à mente a destreza de se higienizar que é inerente aos gatos, os quais, depois de expelirem seus excrementos, dão-lhes o destino dos mortos e os enterram.
Por último, a lanchonete que costumo freqüentar.
Cheguei lá e pedi pão com queijo curado e nescau.
Para não afogar meus objetos em uma poça d´água que havia sobre um dos balcões, tive que espalhá-los sobre uma vitrine de frios.
Na quinta mordida de pão, eis que me chega aos ouvidos o pedido de um senhorzinho à funcionária do café: um pingado e um pastel de carne, por favor.
Deu-me pena de pensar no organismo do homem metabolizando aquela combinação. E como se isso não fosse suficiente para enojar minha vida interior, o velho mordia o pastel e umedecia o conteúdo capturado para dentro da boca com goles de pingado para lhe facilitar a mastigação.
Eu não tenho know how para dar dicas de como comer em público. No entanto,
Xadrez e bolinhas, eu sei que não combinam.
por Carolina Fellet
Destino

O destino materializa seu apetite em formiguinhas e as incumbe de comer os escombros de um monte de coisa: banana mordida, chiclete mastigado, goiaba que sucumbiu à gravidade.
Fim dos textos referentes à exposição Metabolismo.

13 de junho de 2008

(X)Vulgaridade


Por Carolina Fellet
A mulher pós-pílula - do final da década de 1950 para cá – a fim compensar a opressão sexual a que era submetida, tornou-se recalcadíssima, e adotou a vulgaridade como antígeno ao pudor.
A postura de agora é a
VULVOCÊNTRICA.
Seios extravasando os decotes. Desejo imponderável e divulgado de ir ao motel e gozar entoando as sinfonias mais agudas. Comentar as dimensões e as repercussões do falo. Conhecer e se deleitar com vários pênis.
E, no fim, como farelo da antiga essência das fêmeas: melancolia.
A própria anatomia embutida denota a necessidade de a mulher se reservar e perpetuar a fineza inerente ao gênero.

10 de junho de 2008

Novos crimes, novos castigos

Por Carolina Fellet
À medida que a habilidade para o crime avança, é preciso que a punição que lhe disser respeito o acompanhe. Não se trata de olho por olho, dente por dente, mas, a um povo que há pouco vivia na selva e que se proliferou imensuravelmente, haver um semáforo que lhe fique à vigília é imprescindível.

5 de junho de 2008

Diálise

Por Carolina Fellet



Casal de namorado.
Bonitinho, família boa, trabalhador, cortês.
Gostosinha, maquiada, patricinha, mimada, princípios OK.
De nada adianta!
É preciso uma diálise diária para que se agüentem...
A não ser que vivam das necessidades primárias.

3 de junho de 2008

Hilux



Por Carolina Fellet


Prefiro emperiquitar minha habitação a desfilar carros megalômanos que são inversamente proporcionais ao tamanho das vias brasileiras: uma Hilux ocupa duas pistas!

29 de maio de 2008

Charada


Por Carolina FeLLet


Qual a semelhança entre a Sandy e um psicopata?

AMBOS SÃO PREMEDITADOS.

26 de maio de 2008

A proteção do Brasil está nas placas de perigo


por Carolina Fellet


PERIGO! ALTA TENSÃO.
É sob essa máxima que vive a classe média e o grande escalão da sociedade brasileira.
Enquanto a metafísica aprimora o DNA de quem vive à margem da dignidade.
...
Para alguns, parece necessidade primária a marginalidade. Provavelmente – já que a Natureza é sábia – por conta própria, ela submete o DNA desses alguns a mutações, e o filho de um marginal médio já nasce com PhD.
...
Cerca elétrica para eletrocutar
O primeiro gaiato que tentar pular o muro.
Mesmo que seja para catar verduras da horta,
E, principalmente,
Se for para arrombar a porta e acordar as crianças.
-
Já montei um altar dentro de casa;
Nele, sobressaem esperanças materializadas em Agostinhos,
Terezas e Maria de Nazaré.
De dia, o chofer é chofer.
E de noite ele foi promovido a segurança.
Foi uma forma de estampar as esperanças aos transeuntes.

-
Além do João Cabral – o vira-lata que me serve de alarme orgânico,
Estalinhos nos itinerários que levam às entradas da casa.
Provavelmente o ladrão vai se assustar.
-
E se for para furtar umas coisinhas irrisórias,
A índole o fará se borrar de medo de alguém da casa acordar.
E o camarada sairá correndo.

-
Mas, num antídoto ao desejo das pernas,
Um camburão o parará,
E o levará....
Só Deus sabe para onde.

21 de maio de 2008

O Sedentarismo do século vai para...


Por Carolina Fellet
Este é o século do sedentarismo.
Ciganas previram. Vovô – já moribundo – falava. Tornou-se óbvio, haja vista a sina do colesterol – não combatido por polichinelos - que agora persegue as criancinhas que comem hamburgers no recreio do colégio.
Desde o pós-doutor em endocrinologia pela Harvard ao palestrante do centro espírita que fala “pobrema” e muito menas”, todos, enfim, incitam-nos a pensar em exercitar, comer civilizadamente etc.
Saia da frente desse computador!
Faça uma aula experimental de ioga. É grátis.
Caminhe vinte minutos por dia.
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TV na segunda década do século XX + Internet no fim nos anos 80 popularizada = Sedentarismo ocular.
Os olhos se acostumam às cores e às formas veiculadas pelos meios de comunicação mais modernos, o que culmina na desmobilização de músculos oculares e conseqüentemente a prática de ler impressos – que demanda mobilidade desses músculos – fica comprometida e por vezes inviável.
Comece lendo três frases de um periódico.
Daqui a um ano, indubitavelmente, poder-se-á ler O Pequeno Príncipe inteiro.

20 de maio de 2008

Igualdade dos sexos?????????????????????????????????????


Por Carolina Fellet

Não dá para acreditar em igualdade dos sexos porque a própria anatomia deles já denota a tamanha diferença que lhes existe. Um, demasiadamente convexo; o outro, côncavo.
Depois de morta a pretensão de igualar os sexos, há de se matar também a noção da liberação sexual das mulheres. Ou é libertária a necessidade da ingestão de hormônios e suas
repercussões – como enjôos, cefaléias, inchaços, mau-humor, dormências – antes do sexo? Além da paranóia pudica que as mulheres ainda empregam às próprias vulvas, o que só serve para corroborar a não-liberação sexual das fêmeas.
O tabu feminino perante o sexo não sucumbe. Por exemplo, uma noivinha que acabou de se casar não vai mentir dizendo "Sou virgem" (a última virgem de que se tem conhecimento morreu em 1967 sob a violência da ditadura), mas dirá que copulou somente com esse último namorado, que veio a ser seu marido. Uma mosca me contou que essa noivinha fornicava desbragadamente quando jovenzinha.
E as menininhas que aos 10 já estão a par do falo e dos seus tremores? Elas escondem-se até a morte para não assumir suas empreitadas. Depois, caso engravidem, incumbem o ar de ter aconchegado semens com as temperaturas que lhes são ideais. E a mentira vai se alastrando... E junto a ela o PUDOR.
As gerações puseram o pudor em um canteiro localizado em uma área privilegiada para o bom desenvolvimento da espécie. E nunca falta alguém para regá-lo.

16 de maio de 2008

O futuro da Política são os jovens de hoje


Por Carolina Fellet
Se levássemos a máxima que intitula esta matéria a sério, poderíamos afirmar que o futuro já começou, haja vista o lugar ocupado por jovens na Política, representado por nomes como Manoela d´Ávila, 25, deputada federal pelo PC do B, Bruno Siqueira, 33 e Rodrigo Mattos, 29, ambos vereadores de Juiz de Fora pelos partidos PMDB e PSDB, respectivamente.
A psicóloga Fernanda Vieitas – que há 6 anos trabalha com um público cuja faixa etária varia, principalmente, de 12 a 25 anos – acredita que o jovem do fim do século XX e o do século XXI é, e/ou tende a ser, mais politizado devido, primeiramente, à forma veloz e objetiva com que o conhecimento lhe chega, através de tecnologias que transmitem informação, como a Internet, além da necessidade de se manter a par dos fatos para conseguir espaço no mercado de trabalho – o que tem sido mostrado à juventude de uma forma mais empírica, já que o próprio contexto a que ela pertence é repleto de concorrência quanto à capacitação intelectual.
O vereador Rodrigo Mattos, que disputa a reeleição no próximo 5 de outubro, é o membro mais jovem do Legislativo na cidade. Há quem diga que as inclinações políticas do rapaz têm origem no DNA, uma vez que seu pai – atualmente deputado federal pelo PSDB, Custódio Mattos – possui um histórico político antigo, versátil e vasto. No entanto, o interesse de Rodrigo pela área o acompanha desde a infância, o que o faz acreditar que se trata de uma predisposição - e não influência do pai - para atuar no setor.
Em seu primeiro e atual mandato, o vereador já elaborou várias leis, dentre as quais a Lei do Sinal Sonoro para Deficientes Visuais, cujo objetivo é garantir a essas pessoas mais dignidade como cidadãos.
Grande parte da inspiração para a criação de seus projetos vem da observação atenta das carências da sociedade, além da lida com políticos mais experientes, que garante a Mattos aprendizagem prática e
maturidade para o cumprimento do próprio trabalho.
O estudante da sétima série do Ensino Fundamental, Gabriel Casagrande, 13, recebe incentivos da escola para se entrosar com assuntos que se referem à Política: “a gente faz trabalhos que exigem um conhecimento de Política e as próprias provas sem têm perguntas sobre os passos do Governo”.
A universitária Elena Bastos, 23, embora não goste muito do tema, tenta manter-se informada dos governos do país e do mundo, para não fazer feio perante as pessoas com as quais convive e para não ficar alienada: “já que tenho oportunidade de me informar, não fazê-lo seria negar o meu progresso. Então, por mais que eu ache Política chato, eu me mantenho atenta a ela”.
Interar-se das movimentações da democracia faz os jovens exercerem melhor a cidadania e se prepararem melhor para a profissão que escolherem – já que todas elas envolvem as práticas que são comuns na Política, como: lidar com hierarquia, praticar a ética, levar em conta a repercussão dos próprios atos e, se necessário, ponderá-los.

Uma alternativa aos jovens que cobiçam a carreira política
O Curso de Formação Política, que nasceu da parceria entre alunos do doutorado de Ciência Política da universidade de São Paulo (USP), o Instituto do Legislativo Paulista (ILP) e outras organizações privadas e públicas, apresenta a proposta de capacitar a sociedade para que ela possa fazer opções sobre os rumos da Nação em que está inserida.
O conteúdo das aulas é dividido em temas, as abordagens são didáticas e inteligíveis e o curso pode ser ministrado em escolas, empresas, organizações sociais e órgãos públicos.
Aos jovens que estão caminhando ao encontro da Política, essa alternativa pode lhes apresentar um saldo positivo.

Chique


Por CARolina FELlet


O DNA do chique possui o GRAU DE CIVILIDADE em doses extraordinárias.

6 de maio de 2008

O futuro das árvores genealógicas


Por Carolina Fellet


O amor remetido a seu querido filho,
Irmão,
Parente bem quisto,
De repente,
Desemboca num amor por um coração bandido
De uma desnamorada que transformará o carinho – antes enobrecido –
Em frutinhas que já nascem mortas.

3 de maio de 2008

O caso Isabella Nardoni


Por Carolina Fellet


Por mais que os contemporâneos do caso tenham ficado entorpecidos com tamanha crueldade, o futuro enxergará o crime com muito mais feiúra. As mentes imaginativas dar-lhe-ão detalhezinhos hediondos que serão ruminados demoradamente.