Depois da ceia de réveillon, o pum da garota estava letal.
Afinal, o organismo dela não está acostumado a metabolizar tanta comida.
Depois da ceia de réveillon, o pum da garota estava letal.
Afinal, o organismo dela não está acostumado a metabolizar tanta comida.
A partir das habilidades com que meus pés roçam a vida,
Reconheço texturas, temperaturas, prazer e dor.
Embora Ele nunca se revele inteiro a mim.
Já fui toda fruta – bendita descoberta da maçã.
Já fui toda tristeza,
No momento em que o tempo viu-se incumbido
[de instituir em mim a química da decepção.
Já fui enganada por finas lâminas de gelo,
Mas já visitei outra dimensão – sem avião nem nada –
Apenas me submetendo a radiações de inteligência alheia.
Deus às vezes se excede através de trovões letais.
E também se supera (ou supura) por meio de uma sinapse caprichada
Cujo produto chega inteirinho para mim.
Pronto para o consumo imediato.
Ter filhos é intermediar Deus ao novo, o qual é curioso, inquieto e livre para receber comandos e conhecimentos.
Conduzir um serzinho à Vida, portanto, demanda inteligência e cautela.
O que se vê, no entanto, é pai optando pela paternidade como uma obrigação civil, e não devido ao desejo de se envolver integralmente nessa missão. O produto disso são filhos vivendo suas naturezas de um jeito autônomo – como a grama, o vento, o céu – e se encalacrando com os barros das descobertas e seus respectivos tropeços.
Não menosprezando a biologia dos vegetais, eles próprios precisam ser regados de duas a três vezes por semana. Se se trata de ser humano, o comprometimento com este deve ser bem maior, porque além da subsistência ele precisa de carinho. E não dá para ser autodidata em se tratando desse tema.
Viagem para a Disney substitui ensinamento de educação e de bondade? Brinquedo supertecnológico dispensa afeto dos pais? Coração de babá tem o mesmo conteúdo de coração de mãe?
O que você, pretenso pai, tem para contar/ensinar a seu pretenso filho? Vale a pena trazer para a vida alguém de quem você será o guardião?
Tenho muita pena desses que vêm à luz seres humanos e vivem como mato; respeitando apenas a natureza que lhes convém.
Cumprindo a própria obrigação, o telefone ressoou. E minha sexta-feira, que até as 16h25 era grama verdinha, perdeu-se no barro.
O coração sumiu com seu maestro e ficou dissonância pura. O paladar recebeu os mandamentos do amargo para processar.
Os sentidos todos se atormentaram dentro da minha casa.
“Só o acaso estende os braços a quem procura abrigo”.
por carolina fellet
Conforme vislumbrara, a vida não lhe estava fácil, porque a solidão – por mais que lhe trouxesse criatividade – a blindava contra desabafos, carícias e o próprio exercício do humano.
Por sorte, mantinha no apartamento onde morava a atmosfera que era dela. Os cômodos, os pertences, as comidas excediam a natureza de impessoalidade inerente a eles: tudo ali era uma extensão de Blima.
Chegar em casa todos os dias sem ter quem a aconchegasse era como se toda a natureza estivesse à mercê do nada; privada do sentido humano para recepcioná-la.
A situação se agravou e a moça solitária apelou a vizinhos e agendas antigas. Nessa busca, angariou alguns pares de ouvidos e de olhos e um pouco de atenção.
Todavia, como os donos desses materiais vitais possuíam aflições também, quase nada puderam fazer por Blima.
...
Um dia, enfurnada no laboratório das próprias químicas, ela atritou dois emplastos do corpo, reconheceu Deus dentro de si e alcançou o SupremoJá eu... Tenho ojeriza a panela em cima de trempe ligada.
Sinto-me tão ameaçada como se estivesse diante de uma cobra pronta para inocular em mim seu veneno.
Panela é coisa viva.
por carolina fellet
É fatal: em determinado momento do dia, ela sente-se cansada da natureza humana que lhe é imposta a todo momento.
por carolina fellet
Não o guardo nas várzeas da minha memória porque as utilizo como depósito do número do meu CPF, do itinerário para a faculdade e dos dias em que faço ioga.
Os resíduos do nosso namoro de mais de quatro anos espalharam-se entre alguns de meus sentimentos mais nobres e transformaram-se em um centímetro que seja do meu progresso enquanto gente.
Obrigada por ter me apresentado à dimensão da volúpia sob a velocidade de quem quer se encantar pelo percurso. Obrigada por ter usado da sua beleza física e sentimental comigo durante o tempo em que estivemos juntos.
Perdão pelos momentos em que agi de acordo com os comandos do egoísmo e, portanto, fui-lhe injusta.
Feliz aniversário.
Agora sem presentes, sem beijinhos, sem amassos, embora com muito carinho.
Carol.
por carolina fellet
No perímetro em que ela se aloja na balada; na fila da casa lotérica; no posto de gasolina... Por onde ela passa, há sempre um oriental farejando minha irmã.
Já disse a ela que o futuro lhe reserva um vendedor de caneta-choque.
por carolina fellet
O cara com quem você saía a tratava com delicadeza e gentileza.
De repente, já que o convívio prescinde de cerimônia, ele – o cara com quem você saía – torna-se rude perante o relacionamento.
Como se o mar abstivesse de sua natureza líquida e dinâmica e sucumbisse à biologia das areias.
por carolina fellet
Numa pretensão, o vírus entrou no meu corpo como um estupro. Amanheci gripada.
...
Depois fiquei pensando:
Os vírus pegam as mulheres que eles quiserem. Afinal, até a Sandy gripa.
Quem vem para a vida sob o status humano quer ser gente, ora.
E isso implica o processo de domesticação feito pelos pais.
O que se vê, entretanto, é gente fazendo carreira profissional com a política, a qual oferece salários astronômicos em troca de poucos esforços.
Ora, ser vereador, governador, senador, presidente como empreendimento deturpa completamente a função da política – cujos benefícios a seus aliados deveriam ser meramente simbólicos.
por carolina fellet
NÃO às drogas ilícitas.
NÃO ao álcool.
SIM ao efeito colateral do antialérgico.
Para garantir a sonolência de uma noite de sonhos...
O que fazer quando a química do próprio corpo está toda empreendida na ira?
A que deus recorrer?
Roer a unha até o sabugo?
Irada, sou nula.
Somem em mim todas as possibilidades humanas.
A Independência das mulheres – se é que foi conseguida – apresenta muitas falhas.
Por um recalque trazido da antiga condição de submissão a homens machistas, mulheres pós-modernas entram para relações conjugais munidas de armas até os dentes.
Se eles querem azul, elas lutam pelo amarelo.
Se eles preferem pedir uma pizza e passar o fim de semana em casa, elas escolhem jantar fora.
Minhas contemporâneas querem levantar a bandeira da própria autonomia a partir do muque obtido com a revolta perante vidas e vidas de opressão – afinal, foram tantas as amélias.
Será que isso funciona?
É que nos jogos, geralmente, nossos corpos é que eram o alvo da bola.
E o que é que eu faria com meu instinto de autopreservação?
Nunca consegui superá-lo.
por carolina fellet
Se por conta própria a natureza já se excede – haja vista, nas bancas de supermercado, as frutas, verduras e legumes com tamanhos exagerados –, imagine quando as siliconadas estiverem mortas e seus respectivos silicones precisarem ser degradados?
por carolina fellet
Que eu consiga contornar situações difíceis. Se não me for possível, que eu caminhe carregando-lhes o peso, a fim de alcançar um músculo rígido que me deixe potente o bastante para resistir à natureza das circunstâncias.
por carolina fellet
A natureza me trapaceou.
Desde que “fiquei mocinha”, aos 11 anos, estou esperando a manifestação dos bustos e quadris.
Já se passaram 14 anos e eu continuo usando sutiã menina-moça.
O da dona Silvana é um gourmet, afinal ela só pensa em hamburger, lasanha, canelone.
por carolina fellet
Já que tudo nessa vida é pura especulação...
Será a tristeza o prenúncio de uma felicidade?
“A” é geografia de som.
Assim como a clave de sol
E toda a partitura o são.
Bom mesmo é musicar a vida
A partir das batidas do coração.
por carolina fellet
Quem se atenta à metafísica, por mais que se ocupe com alguma burocraciazinha deste mundo material, jamais se priva de vislumbrar um pouco da eternidade
por carolina fellet
Insisto em escrever sobre a vida das almas. É que tem muita gente que insiste em anestesiar esta temporada orgânica e se arremessar a outra dimensão. Poxa! Vidinha de alma deve ser muito chata. Sem região erógena... E sem brigadeiro.
por carolina fellet
Decepção amorosa é tão fatal quanto o despontar de um par de seios – para as mocinhas. Linda ou feia, gorda ou magra, inteligente ou burra, animada ou depressiva, ela sempre aparece em determinado momento da vida de qualquer menina.
Àquelas que empreendem muita expectativa no parceiro, a primeira frustração amorosa pode ser letal. Porque em vez de o tempo seguir seu status natural e aliviar a dor da perda – ou de traição e maltrato – ele parece potencializá-la. Consequentemente, liquida a saúde (ou a própria vida) de quem esteve sob suas rédeas.
Assim que me estreei na seção da paquera, estive sujeita a seus louros e a suas intempéries, inevitavelmente. E o que pude ponderar disso é que os conflitos se enraizavam em mim com muito mais facilidade que as glórias.
Por anos a fio, ficava imersa nas águas paradas da tristeza; sem vislumbrar melhora e novas perspectivas. Encarava o desleixo masculino como consequência de uma falha única e exclusivamente minha.
Porém, como na Natureza, as pessoas variam de estação: amadurecem, atentam-se a outros sentidos, mudam de gosto, desenvolvem expectativas diferentes.
Comigo não foi diferente.
Meu âmago conseguiu – com os destroços das minhas relações malsucedidas – me transportar à razão.
Hoje racionalizo meus fracassos, principalmente os amorosos, e penso: tudo de extraordinário que o outro possui é mais uma projeção nossa em relação a ele, e menos uma verdade autossuficiente.
Em suma: os homens são, sim, todos iguais. Os “melhores” são apenas o produto de nosso investimento altruísta neles – bonzinho, bonitinho, trabalhadorzinho...
por Carolina Fellet
Quando a pauta desta matéria foi pensada, sua principal intenção era associar as intervenções estéticas em questão ao fetichismo. Afinal, o próprio habitat das tattoos e dos piercings – a pele – é cheio de regiões erógenas.
No entanto, o foco pretendido cedeu espaço a outras interpretações a essas alterações estéticas.
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Existem muitos registros que relacionam as primeiras tatuagens, feitas entre 4000 e
Na segunda metade do século XIX, o Governo inglês utilizou a tatuagem como forma de identificação de criminosos. Posteriormente, no Brasil, a partir de 1960, os estabelecimentos em que as tatuagens eram feitas situavam-se nas imediações dos portos, onde funcionava também a zona boêmia. Não tardou para que as prostitutas se rendessem aos adereços cravados na própria pele. Por esses motivos, principalmente, é que a tatuagem, por muito tempo, esteve associada à marginalidade.
Atualmente, alterações no corpo são cada vez mais comuns; ora para homogeneizar as pessoas – quase todos querem estar magros e não medem consequências para chegar às medidas desejadas –, ora para diferenciá-las, através de cortes e tintura de cabelo, de tatuagens e perfurações.
O estudante, DJ e pretenso funcionário público Rafael Kegele Lignani, 23 anos, fez seu primeiro piercing aos 18, assim que saiu do colégio ortodoxo onde estudava. “Piercing dentro daquela escola era sinônimo de problemas homéricos”. A primeira tatuagem ele fez por volta dos 20 anos.
Hoje em dia, as perfurações e tattoos de Lignani formam uma família: são dois alargadores – um em cada orelha; um piercing na sobrancelha e outro no queixo. Além de três tatuagens: uma no ombro e mais duas – uma em cada panturrilha.
O porquê dessas intervenções estéticas o jovem atribui, genericamente, ao charme que lhes é natural, mas faz algumas restrições: “uma tatuagem de uma índia ou a de um rosto mal-executado não podem ser incluídas nessa categoria de intervenções extremamente charmosas”.
Com a jornalista Vivian Oliveira Ribeiro,
No seu atual balanço de perfurações e desenhos, encontram-se três tatuagens e três piercings. Cada um deles representa para ela um gesto de vaidade.
Também jornalista, Roberta Barreto, 24, colocou o primeiro piercing muito precocemente; aos 13 anos. O motivo? Um pacto com as colegas da época – que também se submeteram a perfurações – cujo lema era não se afastarem umas das outras.
Aos 21 anos, Roberta tatuou no pé a frase “Papai, obrigada!”, em homenagem a seu falecido e saudoso pai. Hoje, ela já tem uma pequena coleção de alterações feitas na própria pele.
Para ela, tatuagem é muito mais que modismo e ato de vaidade. “Não creio que haja tantas pessoas que marcam o corpo apenas para parecer moderno”.
O que diz o especialista
Segundo o tatuador Hugo de Oliveira Lemos, 24, tatuar é “traduzir a ideia de uma pessoa para um desenho no corpo”, o que ele classifica como expressão artística. O significado dado a esta cabe ao tatuado, que, em muitos casos, escolhe o desenho a ser feito no próprio corpo sob influência da mídia – em especial da televisão – e da situação por que está passando.
Quem não se lembra da tatuagem que a atriz Deborah Secco fez em homenagem ao namorado da época Falcão? Depois de aparecer no Fantástico falando sobre o gesto de amor, muitas “deboras” fizeram tattoos com os nomes de seus amados em diferentes partes do corpo.
De acordo com Hugo, os preços das tatuagens variam. Levam-se em conta o tamanho, o local, o material usado. O preço mínimo cobrado por um profissional que utiliza produtos de qualidade é em torno de R$60,00.
E você, já decidiu a parte do corpo que vai abrigar sua tattoo?
por carolina fellet
Meu trauma de falar ao telefone talvez seja explicado pelo naipe de gente – sem civilidade e sem objetividade – que trafega na linha.
No fim das contas, esse pessoal serve de antídoto para minhas inseguranças.
por carolina fellet
Com a agressividade de um bandido sob o efeito da cocaína, o rapaz perguntou à mocinha, na balada: “tem namorado”? E ela lhe respondeu, hesitante: “t-tenho; te-nho sim”. E o homem insistiu: “tá falando sério ou tá me dichavando”? Quase que ela perguntou se ele queria só o cordão ou levaria os anéis também.
por carolina fellet
Sabe aqueles dias em que, numa súbita reflexão sobre a vida, a gente diagnostica um vazio total; nada de perspectivas? E sair da inércia é tão arriscado que é preferível permanecer onde está, porque qualquer movimento pode ser letal?
Transitar pela casa de um lado a outro apenas cumprindo a natureza humana. Essa é a ação que se espera dos melancólicos, os quais se dividem em dois grupos: os melancólicos-burros e os melancólicos-inteligentes.
Os primeiros se matam precocemente; sem antes cogitar a possibilidade – positiva ou negativa – de vida pós-túmulo. Já os últimos aproveitam dos recursos de que dispõem desde o nascimento para transformar as percepções em algum feito.
Rejane é uma melancólica-inteligente.
Por isso, em um de seus acessos de melancolia, ela foi para a sacada de sua casa para observar – entre transeuntes e automóveis – o ânimo da natureza. Olhou primeiro o céu, depois uns arbustos que formavam uma cerca natural em toda a extensão da rua. Por fim, seu campo visual foi invadido por um ipê amarelo e recém-nascido num quadrado de terra em meio à calçada para pedestres.
A imposição daquela vida ali no meio-fio transportou Rejane a 360º de horizonte.
...
Nunca mais ela se esqueceu do ipê de sua rua.
por carolina fellet
Não arrisco minhas delicadas mãozinhas em empreitadas de vingança. Porém, quando a Natureza resolve fazê-lo em meu nome, fico-lhe muito grata.
Os excessos da natureza surgem sob variados fôlegos: através do ar, do mar, da chuva, do sol...
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As duas irmãs foram para o restaurante – como compensação à ida a uma colação de grau – e fizeram o pedido.
O ínterim da espera foi nutrido pela incontinência verbal-volumétrica de uma jovem senhora que lhes estava sentada atrás.
A mulher conseguia conectar a temática “células-tronco” à natureza extraordinária das salamandras siberianas. Como acontece nessas pesquisas virtuais, em que as pessoas acessam o Google® buscando o horóscopo do dia e acabam se inteirando do novo técnico da seleção brasileira.
Além da variedade de assuntos, a jovem senhora contava seus casos num volume digno de quebrar taças.
Parece que existe uma relação entre falar muito e falar alto. Assim como quem tem incontinência fecal e acaba deixando escapulir um pouco de xixi em cada incontrolável evacuada.
Estava dentro do carro, na avenida principal da cidade, quando um cego foi incorporado pelo meu campo visual. Ele vinha vindo ladeado por três pessoas que lhe davam suporte.
Assim que o vi, tive a reação que todo mundo tem: compaixão. Afinal, a minha cruz – comparada à dele – é de ouro 18 quilates.
Porém, à medida que o engarrafamento inquietava minhas ideias, vislumbrei algumas regalias que só os deficientes possuem.
Assento preferencial, direito a uma fatiazinha de orçamento público, carinho – ou pelo menos respeito – quase unânime das pessoas.
Enquanto quem vem à luz com “tudo nos trinques” é obrigado a exercer as virtudes de que fora incumbido pela Natureza. Tarefa difícil.
por carolina fellet
Penitenciária subestima essa multimídia orgânica que são os sentidos. Para exercer a visão, paredes de concreto. Para o olfato, a falta de higiene dos sanitários. Para o paladar, comida insípida ou azeda. Para ouvir e tatear: o Nada.
Quem está preso deixa de exercer o status humano.
por carolina fellet
O bicho humano, além de ser cíclico diante das determinações da natureza, o é também perante os hábitos adquiridos.
Tem mulheres que cismam com um corte de cabelo e o usam por anos a fio, até se lhe cansarem um dia e mudarem o alvo da paranoia. Aí, elegem uma roupa, um sapato ou uma bijuteria para ser uma extensão delas próprias.
Entre o público masculino, existe sempre a preocupação de conquistar o mulheril. Consequentemente, a tática para consegui-lo é superdesejada por ele. A que for mais persuasiva será a eleita. Caso seja perfume importado... Dá-lhe tina de perfume importado.
Tia Janete é um exemplo clássico de que somos todos cíclicos. Lá pelos 20 e poucos, após ter violado o território do sexo, ela passou a escolher os parceiros de transa a partir de um critério étnico-sazonal: no verão, copulava com descendentes de italiano; no inverno, com japoneses radicados no Brasil há mais de cinco anos. Nas outras estações, optava por brasileiros mesmo, mas de diferentes estados do país.
Pode-se afirmar que a região pélvica – ouvi dizer que existem neurônios espalhados por todo o corpo humano – de tia Janete tem muita bagagem cultural.
por carolina fellet
Quando se deseja conquistar alguém, talvez por um automatismo embutido no inconsciente, a pessoa apela a um dos próprios predicados e tenta mostrá-lo ao pretenso-parceiro. Os dotados de corpos bonitos apelam a roupas que os realçam. Quem é inteligente investe na lábia. Os vulgares correm para o trópico da própria vulgaridade e ficam lá até pintar a melhor oportunidade voluptuosa. E os sem-jeito permanecem à espera de um amor trazido pela metafísica.
por carolina fellet
Conseguir contabilizar o número de ideias que trafegam pela nossa mente diariamente demanda muita concentração. No ônibus, em casa, no trabalho, na faculdade... Sempre somos uma rodovia demasiadamente movimentada por informações e respectivas reações a elas. Na hora de trazer à luz um dos tantos pensamentos que compõem a nossa psique, muita gente se embaralha. Afinal, não é fácil escolher o melhor assunto para explorar num diálogo, principalmente se ele for inesperado. Por isso, vejo gentes e gentes, na tentativa de equacionar as ideias e introduzir um assunto, dizer: “igualzim (leia-se “igualzinho)”. “Igualzim, saí com o Nenzim pra beber uma cerveja e acabei atrasando pro serviço de manhã”.
Tem também o recurso do “tipo assim”, do “ô, véi”... Todos com a mesma intenção: a de afunilar os tantos e tantos pensamentos que invadem mentes e mentes diariamente, para trazê-los ao conhecimento de outrem. .
E a mãe, superpreocupada, concentra toda a sua atenção na queda da Bolsa de Valores.