Antes, o Brasil - o Brasil das lojas abertas, dos serviços públicos, do calçadão cheio começava sua atividade em março. O argumento: tudo se ajeita depois do Carnaval. Agora, deram um prazo maior para a ressaca. Um mês inteiro de descanso, de desintoxicação.
A programação da TV inicia-se em abril. O cursinho pré - vestibular, idem.
Os futuros seres humanos herdarão esse calendário à brasileirinha? Viva o ócio do janeiro, do fevereiro e agora do março.
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27 de março de 2007
22 de março de 2007
21 de março de 2007
Constituição de 1985
Sou minha maior censura.
Mamãe vem, amontoando palavras pretensiosas, mas travestidas de doçura. As frases são estiletes eficientes que estavam no acervo de nossa intimidade. Rapidamente me recomponho, monto um altar com pequenas oferendas a meu próprio âmago: sou uma nesga de Deus e, conseqüentemente, um farelo da Onipotência.
Mamãe vem, amontoando palavras pretensiosas, mas travestidas de doçura. As frases são estiletes eficientes que estavam no acervo de nossa intimidade. Rapidamente me recomponho, monto um altar com pequenas oferendas a meu próprio âmago: sou uma nesga de Deus e, conseqüentemente, um farelo da Onipotência.
18 de março de 2007
Vão
Gisela vasculha, numa pretensão de se defender das próprias condições a que a vida a induz, o acervo de possibilidades à origem de cada sofrimentozinho que a rege. Sempre se inclinou ao raciocínio matemático, lógico, exato sobre as coisas.
Desta vez, sofria em nome de um amor inconsistente, desmazelado. Não lhe cabia na psique a própria punição que lhe veio de nascença: uma carência indomesticável. Nenhuma cortesia supriria aquela dor, dor dos incipientes tempos em que se reconhecia como humano. Dor do maquinário outorgado do Mundo.
Dor. A dor morta do dicionário. A dor conotativa. A dor legítima. Mune-se das lupas invisíveis da consciência e sai à busca de endereços; do catálogo que contém todos os dados do motivo de se padecer.
É tudo vão, coitada! A serenidade lhe virá, quando o líquido dos lixos escorrer-lhe do caixão. Só assim!
Desta vez, sofria em nome de um amor inconsistente, desmazelado. Não lhe cabia na psique a própria punição que lhe veio de nascença: uma carência indomesticável. Nenhuma cortesia supriria aquela dor, dor dos incipientes tempos em que se reconhecia como humano. Dor do maquinário outorgado do Mundo.
Dor. A dor morta do dicionário. A dor conotativa. A dor legítima. Mune-se das lupas invisíveis da consciência e sai à busca de endereços; do catálogo que contém todos os dados do motivo de se padecer.
É tudo vão, coitada! A serenidade lhe virá, quando o líquido dos lixos escorrer-lhe do caixão. Só assim!
17 de março de 2007
O outro
O Outro, numa relação (hipoteticamente promissora) de monogamia, dá uma consistência em prováveis hesitações. Nada é certeiro. Portanto, arquivamos outros indivíduos bem quistos em nossos acervos de maridinhos e esposinhas.
(Um filósofo de 2158 disse isso a um Futuro que não me pertencerá. Achei interessante e decidi introduzir esse escrito com este pensamento que segue).
Iramaia, há uns meses que se desviaram das rédeas de minha contabilidade, relaciona-se com Olavo. Este permanece ingênuo perante as metáforas de que tanto ela gosta de falar. Talvez seja um jeito de a moça se proteger da neurastenia do Mundo. Fala doce, cujas ferraduras aludem os outros à sensação mais farejada por qualquer criatura.
Com o carinho de um solitário que faz jogos lúdicos e minuciosos com a existência, ela se aquieta no relacionamento. Ainda que sofra, ainda que sinta a necessidade de um aconchego inumano, prevalece contida, enclausurada em seus próprios pensares. Nada, jamais, poderá servir de ração a minhas aptidões. Fala Iramaia; remetente: inconsciente; destinatário: distinção da consciência.
Iramaia vive em um estoque obscuro, em que seu maquinário não cessa trabalhar. O labor pende de um súbito e fugaz movimento ao tédio cego de possibilidades. Dizem, nessas cirandas que peregrinam pelo calçadão das cidades pequenas, que todas as pessoas, numa fase xis da vida, passam por um período negro. E nesse negrume, não existem estrelas, não existe a lua. O único sentido válido é o que observa a negritude.
O namoro, como todos os naipes do Relacionamento, é uma emenda à vida da garota. Um enxerto que lhe garante, indubitavelmente, tempos voluptuosos, tempos de plenitude dos sentidos e intempéries. Sofrimento. Sofrimento oriundo de temores. Temores todos vãos. Mesmo que a vida se desfaleça, certamente, ter-se-á que a suportar. É tudo outorgado. É tudo força clandestina e soberba como a empáfia dos que negam a Paternidade.
(Um filósofo de 2158 disse isso a um Futuro que não me pertencerá. Achei interessante e decidi introduzir esse escrito com este pensamento que segue).
Iramaia, há uns meses que se desviaram das rédeas de minha contabilidade, relaciona-se com Olavo. Este permanece ingênuo perante as metáforas de que tanto ela gosta de falar. Talvez seja um jeito de a moça se proteger da neurastenia do Mundo. Fala doce, cujas ferraduras aludem os outros à sensação mais farejada por qualquer criatura.
Com o carinho de um solitário que faz jogos lúdicos e minuciosos com a existência, ela se aquieta no relacionamento. Ainda que sofra, ainda que sinta a necessidade de um aconchego inumano, prevalece contida, enclausurada em seus próprios pensares. Nada, jamais, poderá servir de ração a minhas aptidões. Fala Iramaia; remetente: inconsciente; destinatário: distinção da consciência.
Iramaia vive em um estoque obscuro, em que seu maquinário não cessa trabalhar. O labor pende de um súbito e fugaz movimento ao tédio cego de possibilidades. Dizem, nessas cirandas que peregrinam pelo calçadão das cidades pequenas, que todas as pessoas, numa fase xis da vida, passam por um período negro. E nesse negrume, não existem estrelas, não existe a lua. O único sentido válido é o que observa a negritude.
O namoro, como todos os naipes do Relacionamento, é uma emenda à vida da garota. Um enxerto que lhe garante, indubitavelmente, tempos voluptuosos, tempos de plenitude dos sentidos e intempéries. Sofrimento. Sofrimento oriundo de temores. Temores todos vãos. Mesmo que a vida se desfaleça, certamente, ter-se-á que a suportar. É tudo outorgado. É tudo força clandestina e soberba como a empáfia dos que negam a Paternidade.
"Não" às drogas?
Como pude deixar que a conduta, esta de que nada sei, embora ache, num ínterim indeterminado, que ela seja o condutor-mor da existência, me levasse ao caos? Ao niilismo total?
Os tarjas-pretas, em muito, me ajudaram. As maçantes sessões de ioga me reergueram. Os antidepressivos, muito paulatinamente, possibilitaram serenidade aos sofrimentos carecas, moribundos, agonizantes. Afastaram-me das drogas... Ou, sucumbi às campanhas de combate ao tabagismo? A vida agora vem crua para o meu lado. Nua, crua, repugnante, por vezes. E o sexo é outorgado. Uma masturbação indelicada, que desvia o propósito principal. E, em vez de prazer, atiça a idéia que deu origem às práticas sádico-masoquistas.
Os tarjas-pretas, em muito, me ajudaram. As maçantes sessões de ioga me reergueram. Os antidepressivos, muito paulatinamente, possibilitaram serenidade aos sofrimentos carecas, moribundos, agonizantes. Afastaram-me das drogas... Ou, sucumbi às campanhas de combate ao tabagismo? A vida agora vem crua para o meu lado. Nua, crua, repugnante, por vezes. E o sexo é outorgado. Uma masturbação indelicada, que desvia o propósito principal. E, em vez de prazer, atiça a idéia que deu origem às práticas sádico-masoquistas.
16 de março de 2007
Sr. Onomatopéia. Onomatopéia de quê?
A aula do professor Aurélio é irretocável. Possui, inerente à condição solitária dos indivíduos ilustres por nascença, a capacidade de, sem intervenções, fluir perfeita e prazerosamente. Ainda assim, Juca insiste em levantar o braço rígido e ensaiado como um soldadinho temeroso: ô professor... Entre uma palavra e outra, ele solta um som que não faz parte do repertório dos falantes da Língua Portuguesa aqui no Brasil. Ô profelaksjapfsdmvl. Além dessa proeza, onde couber, ele coloca a palavra esdrúxulo.
Gostaria muitíssimo de entender: que som o Juca imita ao estrear seus discursos com um pretenso, embora pelas metades verbete: prof...
Gostaria muitíssimo de entender: que som o Juca imita ao estrear seus discursos com um pretenso, embora pelas metades verbete: prof...
11 de março de 2007
Reincidir
A vida é reincidente.
Nasci com fome,
Com sede,
Engolindo tudo que estava à frente.
E isso tudo persiste.
Já estou velha,
Sobrevivente de guerra;
E a fome insiste, não pára.
A sede não se sacia com minha saliva.
O Mundo me vem, entrão.
Nasci com fome,
Com sede,
Engolindo tudo que estava à frente.
E isso tudo persiste.
Já estou velha,
Sobrevivente de guerra;
E a fome insiste, não pára.
A sede não se sacia com minha saliva.
O Mundo me vem, entrão.
9 de março de 2007
Plágio
Alertaram-me a possíveis plágios. Mas, diante de qualquer forma de expressão, fica-se exposto e obviamente sujeito a cópias, copiou?! Colou! Portanto, destemida, continuarei a escrever meus textos, meus escritos, meus desenhos, minhas músicas, meus sentidos, minha vida, enfim.
3 de março de 2007
Bochechas Rubras
Há tanto tempo não escrevo;
Fico até meio sem jeito.
Todos os dias eu estendia meus sentimentos,
Em letras bem talhadas,
Em metáforas que tratavam com fineza minhas ousadias.
Há tanto tempo não escrevo,
Mas jamais se esquece do manual dos beijos.
Não se esquece do Amor velho,
Sobrevivente de guerra.
Deus lembra-se da fórmula das vidas,
Embora, às vezes, por um deslize qualquer,
Seja falível como os médicos tão presunçosos
E, no entanto, raquíticos da legítima sabedoria...
De que tudo culmina em nada.
Fico até meio sem jeito.
Todos os dias eu estendia meus sentimentos,
Em letras bem talhadas,
Em metáforas que tratavam com fineza minhas ousadias.
Há tanto tempo não escrevo,
Mas jamais se esquece do manual dos beijos.
Não se esquece do Amor velho,
Sobrevivente de guerra.
Deus lembra-se da fórmula das vidas,
Embora, às vezes, por um deslize qualquer,
Seja falível como os médicos tão presunçosos
E, no entanto, raquíticos da legítima sabedoria...
De que tudo culmina em nada.
21 de fevereiro de 2007
Tia Hilda
Caminhão de mudanças.
Aproveitou da ojeriza que tem a carnaval para fazer a mudança a que tanto aspirava. Sairia de um apartamento de três quartos para um de um quarto. Motivo: muito espaço a uma pessoa sozinha, muitos cômodos a limpar, mausoléu, enfim.
Pagou um frete apenas. A fim de economizar, amontoou tudo, de forma que uma viagem desse conta dos móveis, dos utensílios, das roupas, dos sapatos. Era muita coisa: roupas herdadas de bebês de dois anos de idade, sapatinhos com numeração de criança, frascos vazios de perfumes franceses, toquinhos de batom, mofo. Em tudo havia mofo, muito mofo. Uma prova de que a vida, de que Deus estava ali presente. Deus nunca se abstém das vidas; nem das vidas inanimadas.
Tirou do tino o motorista do caminhão. Ele se arrependeu de, à época carnavalesca, aceitar a proposta de fazer uma mudança. Não uma mudança qualquer, mas a uma senhorinha neurótica. Cuidado com as curvas, moço, tem um monte de taça que eu trouxe da França. Preste atenção, abaixe o volume desse rádio, o senhor está em horário de serviço. Aiiiiiiiiiiiiiiiii! Puta que o pariu. Se eu soubesse que seria assim, teria levado tudo na mão. Nossa senhora, que má vontade!
Depois de observar tudo aquilo, quieta, esteticamente absorta, concluí que, com aquela quantidade de parafernálias, Tia Hilda poderia estrear uma nova civilização. A civilização incipiente e ultra-moderna do século XXI.
Foram seis dias de arrumação, limpeza, insônia. Desligou o telefone. Fechou as janelas. Simulou uma perda de identidade. Como em uma ficção fajuta, enterrou-se por uns dias e alienou-se do Mundo. Há trinta horas que ela dorme... E dorme... E dorme.
Aproveitou da ojeriza que tem a carnaval para fazer a mudança a que tanto aspirava. Sairia de um apartamento de três quartos para um de um quarto. Motivo: muito espaço a uma pessoa sozinha, muitos cômodos a limpar, mausoléu, enfim.
Pagou um frete apenas. A fim de economizar, amontoou tudo, de forma que uma viagem desse conta dos móveis, dos utensílios, das roupas, dos sapatos. Era muita coisa: roupas herdadas de bebês de dois anos de idade, sapatinhos com numeração de criança, frascos vazios de perfumes franceses, toquinhos de batom, mofo. Em tudo havia mofo, muito mofo. Uma prova de que a vida, de que Deus estava ali presente. Deus nunca se abstém das vidas; nem das vidas inanimadas.
Tirou do tino o motorista do caminhão. Ele se arrependeu de, à época carnavalesca, aceitar a proposta de fazer uma mudança. Não uma mudança qualquer, mas a uma senhorinha neurótica. Cuidado com as curvas, moço, tem um monte de taça que eu trouxe da França. Preste atenção, abaixe o volume desse rádio, o senhor está em horário de serviço. Aiiiiiiiiiiiiiiiii! Puta que o pariu. Se eu soubesse que seria assim, teria levado tudo na mão. Nossa senhora, que má vontade!
Depois de observar tudo aquilo, quieta, esteticamente absorta, concluí que, com aquela quantidade de parafernálias, Tia Hilda poderia estrear uma nova civilização. A civilização incipiente e ultra-moderna do século XXI.
Foram seis dias de arrumação, limpeza, insônia. Desligou o telefone. Fechou as janelas. Simulou uma perda de identidade. Como em uma ficção fajuta, enterrou-se por uns dias e alienou-se do Mundo. Há trinta horas que ela dorme... E dorme... E dorme.
20 de fevereiro de 2007
Pés
Olhando, parece um ser bruto. Os pés, conforme nosso comando, podem tatear suavemente a superfície, extraindo dela a textura, a temperatura e, conseqüentemente, uma afinidade ou uma ojeriza a ela. A ginástica do pé fica sob nossa vontade, embora a composição que o forma esteja à mercê da Vida. Como os grandes rochedos que ilustram a interseção entre o fundo dos mares com a parte rasa, com a praia. O pé, levitando a menos ortodoxa conotação, é uma rocha que corresponde à gastura a que o tempo o submeteu.
Os dedos dos nordestinos de pouco tempo e, no entanto, antigos de trabalho, ficam estáticos. Os sóis, as chuvas, o incessante movimento, os calos os mumificaram. A vocação a contorcionistas cessou-lhes.
Eles resistiram a mil guerras, feridas abertas. Não precisam de histórias, não precisam de um ouvinte. O sentido instantâneo da visão dá o desfecho à trajetória do instrumento andante.
Os dedos dos nordestinos de pouco tempo e, no entanto, antigos de trabalho, ficam estáticos. Os sóis, as chuvas, o incessante movimento, os calos os mumificaram. A vocação a contorcionistas cessou-lhes.
Eles resistiram a mil guerras, feridas abertas. Não precisam de histórias, não precisam de um ouvinte. O sentido instantâneo da visão dá o desfecho à trajetória do instrumento andante.
19 de fevereiro de 2007
Cadáver à moda da Rede Globo
Enterraram o vovô com o blazer irretocável. Azul marinho, beirando o preto. Camisa branca de gola engomada e uma gravata discreta, de seda. A fisionomia já estava comprometida pelos oitenta e dois anos e suas mazelas inevitáveis. Ah! Vovô, quanta saudade.
Outro dia, ao mexer na caixa onde guardo velhas fotografias, assaltou-me a imagem dos cabritinhos que, amiúde, você comprava para nos agradar. E enchia aquele sítio lindo que você fez também para nos agradar. O que me comoveu e me encheu de um prazer nostálgico foi a mamadeira que você comprava a cada um dos cabritinhos. Dava-lhes leite pela mamadeira. Que alma imensurável. Daí, já envolvida com os raios de nobreza que lhe emanavam, fiquei frente a frente à outra imagem sua: você estava tirando cochilo, debaixo de um banco de madeira, sobre uns jornais. Que homem. Que Homem.
Tudo que você fez em Terra ganhou uma repercussão toda peculiar. A Natureza capricha em algumas de suas empreitadas vitais. Há tempos não o encontro em outras gentes. Quanta carência.
No Rio, uma vez, todos ávidos pela festividade da virada de ano, ao abrir o armário da vovó, hipnotizei-me com a cena ingênua que o senhor montou: seu martelo – sujo de tintas e do próprio tempo – fora colocado sobre uma roupa de linho branco da vovó. Chamei todos que estavam na casa da praia e rimos da sua pureza. A pureza é tão exígua que, quando se a vê, sente-se algo incomum. Você continua sendo incomum.
Até no cume da vida, até diante da morte, houve uma circunstância memorável ligada a você. Enterraram-no com o tronco requintado e, no entanto, sem as calças. Cobriram-no de flores. Talvez gastaram a Floresta Amazônica inteira, mas não deixaram suas calças ao deus dará. Quem o preparou ao final estético, encantou-se pela calça... esta deve estar vivendo a marcha de um par de pernas anônimas.
Garanto que, conforme seu talento à generosidade, você está muito feliz a perscrutar essas perninhas que, clandestinamente, herdaram suas calças.
Outro dia, ao mexer na caixa onde guardo velhas fotografias, assaltou-me a imagem dos cabritinhos que, amiúde, você comprava para nos agradar. E enchia aquele sítio lindo que você fez também para nos agradar. O que me comoveu e me encheu de um prazer nostálgico foi a mamadeira que você comprava a cada um dos cabritinhos. Dava-lhes leite pela mamadeira. Que alma imensurável. Daí, já envolvida com os raios de nobreza que lhe emanavam, fiquei frente a frente à outra imagem sua: você estava tirando cochilo, debaixo de um banco de madeira, sobre uns jornais. Que homem. Que Homem.
Tudo que você fez em Terra ganhou uma repercussão toda peculiar. A Natureza capricha em algumas de suas empreitadas vitais. Há tempos não o encontro em outras gentes. Quanta carência.
No Rio, uma vez, todos ávidos pela festividade da virada de ano, ao abrir o armário da vovó, hipnotizei-me com a cena ingênua que o senhor montou: seu martelo – sujo de tintas e do próprio tempo – fora colocado sobre uma roupa de linho branco da vovó. Chamei todos que estavam na casa da praia e rimos da sua pureza. A pureza é tão exígua que, quando se a vê, sente-se algo incomum. Você continua sendo incomum.
Até no cume da vida, até diante da morte, houve uma circunstância memorável ligada a você. Enterraram-no com o tronco requintado e, no entanto, sem as calças. Cobriram-no de flores. Talvez gastaram a Floresta Amazônica inteira, mas não deixaram suas calças ao deus dará. Quem o preparou ao final estético, encantou-se pela calça... esta deve estar vivendo a marcha de um par de pernas anônimas.
Garanto que, conforme seu talento à generosidade, você está muito feliz a perscrutar essas perninhas que, clandestinamente, herdaram suas calças.
Restos e sobras
Deixaram-me o Mundo. Tantos céus a serem, outorgadamente, contemplados; ares a serem inalados; águas a serem bebidas; frutas a serem comidas. Minhas vidas contemporâneas vão ao cemitério dos meus sentidos em ação. O alface por pouco sobrevive em meu tempo. Já, já vira cadáver. O meu apetite é um cemitério superpovoado.
O sabiá que se dissimula no jardim da casa de sr. Itamar, meu vizinho, é ração a meus olhos, a meus ouvidos. O mundo estende-se a mim... Todas as habilidades das mais variadas formas vivas são uma exuberante vitrine a mim.
A chuva, que já é destra a ser chuva, escorre-me integralmente. O nascimento hábil das águas incita minhas curiosidades; minhas ávidas pretensões de saber qual é a verdade.
No momento em que a casca da laranja foi jogada ao solo, no momento em que o Tempo iniciou-se no processo de decomposição da vida, no momento em que penso e, conseqüentemente, sou pensada pelo tino de que não sou rei, o aerossol de espantos radica-se em mim. No meu mundo mais interior.
Dispuseram-se de um acervo virtual impalpável para elaborar as imagens que me surgiram nessa noite, enquanto dormia. Quanto será ainda me resta para consumir??
O sabiá que se dissimula no jardim da casa de sr. Itamar, meu vizinho, é ração a meus olhos, a meus ouvidos. O mundo estende-se a mim... Todas as habilidades das mais variadas formas vivas são uma exuberante vitrine a mim.
A chuva, que já é destra a ser chuva, escorre-me integralmente. O nascimento hábil das águas incita minhas curiosidades; minhas ávidas pretensões de saber qual é a verdade.
No momento em que a casca da laranja foi jogada ao solo, no momento em que o Tempo iniciou-se no processo de decomposição da vida, no momento em que penso e, conseqüentemente, sou pensada pelo tino de que não sou rei, o aerossol de espantos radica-se em mim. No meu mundo mais interior.
Dispuseram-se de um acervo virtual impalpável para elaborar as imagens que me surgiram nessa noite, enquanto dormia. Quanto será ainda me resta para consumir??
17 de fevereiro de 2007
Argh!
Não vou vulgarizar. Usar do efeito das palavras de baixo calão. Mas, a minha maior pretensão é me rebelar contra os indivíduos que fervem minha saliva de misantropia.
16 de fevereiro de 2007
Carnaval 2007
Nunca concebi aqueles carnavais de que tanto falavam meus avós e até mesmo meus pais. Será que os tempos eram tão diferentes destas temporadas entediantes? As lindas marchinhas salvavam uma existência pelo menos até o final do respectivo ano? O lança perfume, que se acumulava na composição dos ares, aliviava os indivíduos da Melancolia? Os Coquetéis tinham efeito prolongado?
Como os ateus tão presunçosos quanto os fanáticos, descreio nos milagres dos antigos carnavais. Acho que tudo isso é oriundo da grande farsa do “Era melhor porque era antigamente”. Antigamente traz uma noção de cultura erudita, elaboração minuciosa das civilizações greco-romanas. O cume da perfeição, ou da proximidade a ela, pertence ao agorinha, àquele serzinho que acabou de berrar ao Mundo. Bandeira ascendida à vida.
Aproveito, com costume, como quem faz um jejum anual, a mudez do carnaval para atinar à minha posição na Existência. Reparo como foram as manifestações sociais, culturais, sentimentais. Pego meus sentidos e os trato como Playmobil. Uma lascívia abre uma fresta a uma frustração. Daí, nasce um enredo. Meu brinquedo é o desabafo.
Comemorar os bustos fartos, explícitos e lustrados com óleos e postos na feira. Sem preço. Quase gratuitos como os frutos. Embora sem a castidade da ignorância de ser um fruto. Comemorar os bumbuns, incrementados com pecinhas pequenas de pano. Comemorar a falta de sobriedade. Comemorar o xixi público de um pênis anônimo. Comemorar a pornô chanchada livre de tributos. Comemorar a volúpia do guarda que se pune em uma objeção à própria Natureza. Não se sente digno ao se excitar perante as pernas de uma garotinha muito jovem. Mas, se salva rapidamente ao vê-la desmontada de libidos, nos braços de um rapaz bem adulto.
Aproveito meu Carnaval. Minha vocação a Themis perdoa a juventude que se vulgariza. Minha Themis entende o excesso dos outros. Mas, não se enfurna na morbidez. Porque valoriza, com primazia, a fragrância que existe em cada corpo. O que há no lado de cá.
Neste ano, a novidade da fantasia é a casa enorme, esse mausoléu entregue a mim. Simplesmente a mim. Acordarei sem as dívidas do bom dia. Descerei a escadaria e preparei o recheio a meu pão que, bem cedo, o padeiro deixará na grade.
Ai, a solidão me enche de frenesi. O exercício esporádico da Misantropia é salutar.
Como os ateus tão presunçosos quanto os fanáticos, descreio nos milagres dos antigos carnavais. Acho que tudo isso é oriundo da grande farsa do “Era melhor porque era antigamente”. Antigamente traz uma noção de cultura erudita, elaboração minuciosa das civilizações greco-romanas. O cume da perfeição, ou da proximidade a ela, pertence ao agorinha, àquele serzinho que acabou de berrar ao Mundo. Bandeira ascendida à vida.
Aproveito, com costume, como quem faz um jejum anual, a mudez do carnaval para atinar à minha posição na Existência. Reparo como foram as manifestações sociais, culturais, sentimentais. Pego meus sentidos e os trato como Playmobil. Uma lascívia abre uma fresta a uma frustração. Daí, nasce um enredo. Meu brinquedo é o desabafo.
Comemorar os bustos fartos, explícitos e lustrados com óleos e postos na feira. Sem preço. Quase gratuitos como os frutos. Embora sem a castidade da ignorância de ser um fruto. Comemorar os bumbuns, incrementados com pecinhas pequenas de pano. Comemorar a falta de sobriedade. Comemorar o xixi público de um pênis anônimo. Comemorar a pornô chanchada livre de tributos. Comemorar a volúpia do guarda que se pune em uma objeção à própria Natureza. Não se sente digno ao se excitar perante as pernas de uma garotinha muito jovem. Mas, se salva rapidamente ao vê-la desmontada de libidos, nos braços de um rapaz bem adulto.
Aproveito meu Carnaval. Minha vocação a Themis perdoa a juventude que se vulgariza. Minha Themis entende o excesso dos outros. Mas, não se enfurna na morbidez. Porque valoriza, com primazia, a fragrância que existe em cada corpo. O que há no lado de cá.
Neste ano, a novidade da fantasia é a casa enorme, esse mausoléu entregue a mim. Simplesmente a mim. Acordarei sem as dívidas do bom dia. Descerei a escadaria e preparei o recheio a meu pão que, bem cedo, o padeiro deixará na grade.
Ai, a solidão me enche de frenesi. O exercício esporádico da Misantropia é salutar.
14 de fevereiro de 2007
Motivos para não se gostar de telefone
Simone tem ojeriza a diálogos – à mil e uma noites – à linha do telefone. Radicalmente, diz: telefone é para caso de urgência. Caso eu necessite mudar o horário dos clientes, caso eu atrase a visita a Mirian... Nada de chamegos guturais.
Estava umedecido o Tempo. O céu dissimulado pelo degrade oriundo do Cinza. Era domingo. Tudo incitava depressão. Ainda que sofrida, desencadeadora de produções artísticas mirabolantes. Simone é artista plástica. Como de praxe, escolheu um sobrenome que reluzisse; escolheu um codinome: Simone Belvederli. Conforme as convenções se enraízam em nossa psique, aquela invenção toda se radicou na linfa da mulher. Absteve-se ingenuamente da Simone-mais-um-artesanato-de-deus e incorporou a extensão da artista. Considerava-se e, de fato, era artista. Uma interseção entre Deus e o Mundo.
Deu-se ao luxo e ao despudor de assumir detestar telefonemas longos, infindáveis. Certa vez lhe ligaram e os assuntos voavam a todos os continentes. De repente, após o giro cósmico, cessou-se o ideal. Silêncio nesse lado, mudez naquele lado. Que constrangimento. A mulher fez de tudo para que a pessoa que estava na linha desligasse o telefone... Sutilezas vãs. Haja paciência! Silêncio à frente de uma existência robótica que tem, como status – mor, a transmissão de sons. Não dá.
Outra vez, o zunido repelente do telefone soou. Ela estava à pia, escovando os dentes após uma das poucas refeições que fazia no ínterim de um dia. Enxaguou-se com desleixo e correu em direção ao aparelho que emanava o ruído. Atendeu. Era uma amiga de infância, da qual nem se recordava nitidamente, já que conviviam porque assim determinou a Eternidade. Joana – a amiga de outrora – forçou uma saudade, forçou uma espontaneidade. Por um momento, fixou-se em um assunto com projeções incrementadas e o repetiu... Repetiu... Repetiu. Existe sempre gente que se identifica com o refrão. E sequer se interessa pela trajetória de um poema.
Estava umedecido o Tempo. O céu dissimulado pelo degrade oriundo do Cinza. Era domingo. Tudo incitava depressão. Ainda que sofrida, desencadeadora de produções artísticas mirabolantes. Simone é artista plástica. Como de praxe, escolheu um sobrenome que reluzisse; escolheu um codinome: Simone Belvederli. Conforme as convenções se enraízam em nossa psique, aquela invenção toda se radicou na linfa da mulher. Absteve-se ingenuamente da Simone-mais-um-artesanato-de-deus e incorporou a extensão da artista. Considerava-se e, de fato, era artista. Uma interseção entre Deus e o Mundo.
Deu-se ao luxo e ao despudor de assumir detestar telefonemas longos, infindáveis. Certa vez lhe ligaram e os assuntos voavam a todos os continentes. De repente, após o giro cósmico, cessou-se o ideal. Silêncio nesse lado, mudez naquele lado. Que constrangimento. A mulher fez de tudo para que a pessoa que estava na linha desligasse o telefone... Sutilezas vãs. Haja paciência! Silêncio à frente de uma existência robótica que tem, como status – mor, a transmissão de sons. Não dá.
Outra vez, o zunido repelente do telefone soou. Ela estava à pia, escovando os dentes após uma das poucas refeições que fazia no ínterim de um dia. Enxaguou-se com desleixo e correu em direção ao aparelho que emanava o ruído. Atendeu. Era uma amiga de infância, da qual nem se recordava nitidamente, já que conviviam porque assim determinou a Eternidade. Joana – a amiga de outrora – forçou uma saudade, forçou uma espontaneidade. Por um momento, fixou-se em um assunto com projeções incrementadas e o repetiu... Repetiu... Repetiu. Existe sempre gente que se identifica com o refrão. E sequer se interessa pela trajetória de um poema.
12 de fevereiro de 2007
Corte de Cabelo
Vanice comprou uma vastidão de revistas no sebo. Todas com as capas referentes a cortes de cabelo. Corte de cabelo. Vale a pena, principalmente quando os dias ficam comprometidos meramente com a hóstia previsível do trabalho, da escola, da ioga, da ginástica. Mudança. Já.
Enquanto os esquemas não variam, enquanto a Economia não oscila, enquanto meu emprego não melhora, enquanto me fatigo com as mesmas ideologias, com a pilha de livros e com a MPB, opto por alterar a jardinagem.
Que novidade. Sou uma intrusa nos textos que não me pertencem... Que fazem parte desse mundo lúdico da minha consciência e do meu devaneio.
A moça vasculhou todas as revistas, analisou cabelo por cabelo... Deu uma grifada naqueles que condiziam com suas pretensões e que combinavam com a forma do próprio rosto. Mostrou à Dorarite, sua mãe. Ela enumerou objeções a todos os modelos de corte. Ah! Minha filha, explica para o cabeleireiro direitinho o que você quer. Vá na sorte. Existe sempre aquele indivíduo que, por mais que o Tempo o faça de presa, prevalece com a apreensão; apreensão perante circunstâncias irrelevantes como cortar o cabelo, fazer uma tatuagem. Não há nada de nocivo em um cabelo mal cortado. A tatuagem, caso não goste, será devorada – muito rapidamente – pelo Leão da Fatalidade.
Vanice preocupa-se com a vicissitude da sua psique. Concordo com ela. Isso é pretexto à hesitação, ao medo. Ainda assim, o medo vai culminar no funil dos finais... Se há um final, uma morte, um assassinato, por que cultivar essa horta que aflige? Por quê?
Corte de cabelo é a ciranda do Lazer. Vamos ousar ser deus. Brincar com simetrias e assimetrias. Olharmo-nos ao espelho e imaginar uma forma redonda, uma franja reta e desfiada. Tudo é deus. Continuo devota do meu Panteísmo.
Enquanto os esquemas não variam, enquanto a Economia não oscila, enquanto meu emprego não melhora, enquanto me fatigo com as mesmas ideologias, com a pilha de livros e com a MPB, opto por alterar a jardinagem.
Que novidade. Sou uma intrusa nos textos que não me pertencem... Que fazem parte desse mundo lúdico da minha consciência e do meu devaneio.
A moça vasculhou todas as revistas, analisou cabelo por cabelo... Deu uma grifada naqueles que condiziam com suas pretensões e que combinavam com a forma do próprio rosto. Mostrou à Dorarite, sua mãe. Ela enumerou objeções a todos os modelos de corte. Ah! Minha filha, explica para o cabeleireiro direitinho o que você quer. Vá na sorte. Existe sempre aquele indivíduo que, por mais que o Tempo o faça de presa, prevalece com a apreensão; apreensão perante circunstâncias irrelevantes como cortar o cabelo, fazer uma tatuagem. Não há nada de nocivo em um cabelo mal cortado. A tatuagem, caso não goste, será devorada – muito rapidamente – pelo Leão da Fatalidade.
Vanice preocupa-se com a vicissitude da sua psique. Concordo com ela. Isso é pretexto à hesitação, ao medo. Ainda assim, o medo vai culminar no funil dos finais... Se há um final, uma morte, um assassinato, por que cultivar essa horta que aflige? Por quê?
Corte de cabelo é a ciranda do Lazer. Vamos ousar ser deus. Brincar com simetrias e assimetrias. Olharmo-nos ao espelho e imaginar uma forma redonda, uma franja reta e desfiada. Tudo é deus. Continuo devota do meu Panteísmo.
3 de fevereiro de 2007
Cortesia
A melhor maneira de ser cortês com todos os convidados da festa da Vovó Maria é respingar-lhes cachaça goela abaixo. Com certeza, todos ficarão BEM à vontade. Despudorados. Dançarinos sublimes. Mestres da Oratória. Discípulos de Nelson Rodrigues.
1 de fevereiro de 2007
Jazigos Perpétuos
Pois é! Estou aqui,
Comendo o fruto que o pé da Vida me enfia,
Goela abaixo.
Estou nauseada.
É o mesmo sabor quase sempre;
O apetite já se gastou.
O apetite já nem reconhece as iguarias.
Ainda não tenho emprego,
Uso e abuso do dinheiro,
A cujo horizonte nunca tive acesso.
Vem com o corpo gasto do meu pai.
Extravaso e sempre me sinto cansada,
Exausta,
Em estafa.
Deprimida com o excesso de vida,
Decepcionada com a estirpe humana.
O ônibus pára.
O fluxo de carros da via ao lado é imensurável;
Quanta gente.
Quanto vigor de Deus.
Cada criatura assentada ao ônibus tem consciência de si.
Quanta agilidade de Deus.
O sinal está verde,
São tantos ônibus para virar à direita.
Vamos aproveitar essa empreitada.
A curva é feita...
Sacolas despencam ao lado oposto,
Forças batizadas pela Física.
Meu corpo é atingido por um sol já distante,
Das cinco da tarde.
Claridades imersas em florestas impalpáveis.
Sombra e sol...
Intervalo de sol e sombra.
Ainda dentro do ônibus.
Felizes são as populações dos jazigos perpétuos.
Desço, sem pensar, e a rua me recebe.
Ainda há um itinerário que precede minha casa.
Estou ligada.
Os deuses da Mitologia me inquietam.
E estão todos bem vivos...
Até as populações dos jazigos perpétuos estão bem vivas,
Já que existem tantas consciências daqui deste lado.
Comendo o fruto que o pé da Vida me enfia,
Goela abaixo.
Estou nauseada.
É o mesmo sabor quase sempre;
O apetite já se gastou.
O apetite já nem reconhece as iguarias.
Ainda não tenho emprego,
Uso e abuso do dinheiro,
A cujo horizonte nunca tive acesso.
Vem com o corpo gasto do meu pai.
Extravaso e sempre me sinto cansada,
Exausta,
Em estafa.
Deprimida com o excesso de vida,
Decepcionada com a estirpe humana.
O ônibus pára.
O fluxo de carros da via ao lado é imensurável;
Quanta gente.
Quanto vigor de Deus.
Cada criatura assentada ao ônibus tem consciência de si.
Quanta agilidade de Deus.
O sinal está verde,
São tantos ônibus para virar à direita.
Vamos aproveitar essa empreitada.
A curva é feita...
Sacolas despencam ao lado oposto,
Forças batizadas pela Física.
Meu corpo é atingido por um sol já distante,
Das cinco da tarde.
Claridades imersas em florestas impalpáveis.
Sombra e sol...
Intervalo de sol e sombra.
Ainda dentro do ônibus.
Felizes são as populações dos jazigos perpétuos.
Desço, sem pensar, e a rua me recebe.
Ainda há um itinerário que precede minha casa.
Estou ligada.
Os deuses da Mitologia me inquietam.
E estão todos bem vivos...
Até as populações dos jazigos perpétuos estão bem vivas,
Já que existem tantas consciências daqui deste lado.
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