ESTE É DEDICADO AO TIO WALMINHO
O teatro que o homem faz de Deus é curto: improvisar corações, fôlegos, respirações é imperícia do homem. É viável apenas a uma cena inicial; a uma tapeação fajuta a um espectador desatento. Era para sua fatalidade fazer a coleta e, enquanto sua fatalidade o alienou do mundo, tantas outras fatalidades coincidiram. O mundo é o ápice do meu desentendimento. Tanta falta de sentido resiste: árvores imponentes, viva natureza morta e a grande pretensão do mundo, num súbito, sucumbe: o fôlego do nosso mutirão de sentimento escapa desta casa... E resta-me somente matéria a ser vivida.
Enquanto minha alienação permitir que eu seja, o amarei, Tio.
Total de visualizações de página
22 de março de 2006
Jujubas (parte II)
Desta vez a boca audível da nossa amizade usou como palanque um pote de jujubas. A harmonia do "nós" soou nas jujubas.
Os sentimentos pegam impulso em endereço clandestino e ganham emenda neste universo que me é outorgado. Os sentimentos são o sigilo absoluto do mundo individual de uma existência... Meu sentimento ainda não se identificou com as arquiteturas disponíveis. Por isso ele se traveste. Ele se traveste optando por uma das caras de que se dispõe o mundo.
Os sentimentos pegam impulso em endereço clandestino e ganham emenda neste universo que me é outorgado. Os sentimentos são o sigilo absoluto do mundo individual de uma existência... Meu sentimento ainda não se identificou com as arquiteturas disponíveis. Por isso ele se traveste. Ele se traveste optando por uma das caras de que se dispõe o mundo.
7 de março de 2006
Drogaria
Não sei mais a que recorrer. Meu talento de alquimista tinha uma vida útil minúscula; vida esta que se diluiu à Vida... Deve estar agora encarapuçando outra seta do Fatal. Minhas alopatias foram consumidas em um curto suspiro dos céus... A estante do laboratório está deserta, solitária. Minha genuína correspondente.
Ingeri todas as oferendas de salvação. As bocas já estão amargas. Ficam todas deitadas em enfermarias. E eu as carrego... Que aura febril. Que transporte sacrificado. Ser o Mundo dá um desgaste enorme.
Ingeri todas as oferendas de salvação. As bocas já estão amargas. Ficam todas deitadas em enfermarias. E eu as carrego... Que aura febril. Que transporte sacrificado. Ser o Mundo dá um desgaste enorme.
5 de março de 2006
Nietzsche
A materialização de outro par de olhos. Dos olhos capazes de concluir que a radiografia do Universo é integralmente negra à nossa tão impotente sabedoria.
1 de março de 2006
La Fiorentina
Restaurante: mordomo à praia, ao céu, à Natureza... Servo do fôlego incessante do Rio de Janeiro.
28 de fevereiro de 2006
Rio de Janeiro II
Rio de Janeiro: banquete a esta máquina.Céu indecente... Sol despudorado... Movimento da receita humana. Cardápio variado da receita humana: gringo, altos e baixos, crianças e velhos, aleijados festejando o próprio status. Sossego da alma. Vontade de erradicar esta matéria.
24 de fevereiro de 2006
Protagonista do Kama Sutra
Nas vezes em que o vejo, uma balbuciada da alma me diz: "êta protagonista do Kama Sutra". É algum investimento do Inconsciente. Porque sou induzida sempre; até meu corpo é gringo dele mesmo. Aquele rapaz, com uma epiderme sincronizada de boas intenções, não me convence. Há enxertos da Libido na linfa dele... Libido é a bengala do rapaz. E eu comungo muito mais as eletricidades da alma.
21 de fevereiro de 2006
Televisão
Erra-se o ponto sensível do clitóris. Há sim uma emoção, mas sem calafrios, sem a ampliação do cerne. A razão fica na vigília... E o bom deste investimento fica latente em algum canto desta residência.
18 de fevereiro de 2006
Ana Carolina
Esta é uma homenagem que recebi há bem pouco e que, instantaneamente, considerei meu "R.G. poético"
Autor: Hernany Tafuri
Ainda que tenhas
medo da vida,
sabe que o amor
ronda teu quarto
apenas aguardando
o momento exato para
ser percebido.
Ainda que lamentes
sob a clausura gélida
de paredes nuas;
ainda que chores
e mordas os lábios
para que não escape
um grito rouco;
ainda que tua esperança
esteja crua e inerte,
submissa ao tempo que
jorra por teus poros,
ainda assim o amor
ronda-te, clama por
ti, vaga sem rumo mas
sempre retorna
ao teu coração.
Ainda que sejas
destemida poetisa
em versos destacados;
ainda que reflitas
tua grandeza em textos
alopáticos;
ainda que te agigantes
em frases desgarradas,
não podes fugir de um amor
ancestral que alimenta-se
de tudo o que de bom
tens a oferecer.
És parte da natureza,
pois a natureza é parte de ti;
és flor e espinho;
és dia ensolarado e
escura madrugada;
és o que desejas ser
e um pouco mais do
que percebes;
és solo árido sob a
chuva cristalina,
és Ana Carolina
dentre infinitos seres
distintos, e isso já basta.
Autor: Hernany Tafuri
Ainda que tenhas
medo da vida,
sabe que o amor
ronda teu quarto
apenas aguardando
o momento exato para
ser percebido.
Ainda que lamentes
sob a clausura gélida
de paredes nuas;
ainda que chores
e mordas os lábios
para que não escape
um grito rouco;
ainda que tua esperança
esteja crua e inerte,
submissa ao tempo que
jorra por teus poros,
ainda assim o amor
ronda-te, clama por
ti, vaga sem rumo mas
sempre retorna
ao teu coração.
Ainda que sejas
destemida poetisa
em versos destacados;
ainda que reflitas
tua grandeza em textos
alopáticos;
ainda que te agigantes
em frases desgarradas,
não podes fugir de um amor
ancestral que alimenta-se
de tudo o que de bom
tens a oferecer.
És parte da natureza,
pois a natureza é parte de ti;
és flor e espinho;
és dia ensolarado e
escura madrugada;
és o que desejas ser
e um pouco mais do
que percebes;
és solo árido sob a
chuva cristalina,
és Ana Carolina
dentre infinitos seres
distintos, e isso já basta.
11 de fevereiro de 2006
Jujuba
Este é para Eduardo, um dos componentes deste meu caldeirão.
Frutinhas mecânicas, conseqüência da destreza humana. Elas entram na boca da gente para promover carnaval à seriedade dos dentes. Toda existência demanda momentos de lazer.
Frutinhas mecânicas, conseqüência da destreza humana. Elas entram na boca da gente para promover carnaval à seriedade dos dentes. Toda existência demanda momentos de lazer.
7 de fevereiro de 2006
Sentir a morte
A morte sentida é uma ótima alopatia. Anestesiar-se de "dexistir" cura qualquer mal-estar da alma.
27 de janeiro de 2006
21 de janeiro de 2006
Pressa
Meu tempo é este vigia que fica acordado a rodear minha casa. Oferecendo-lhe cru: meu tempo é a vida útil da consciência. E não adianta eu antecipar céus, porque meu tempo, apesar de me ser, vem quando bem entende.
17 de janeiro de 2006
Deus Homem
Salve o indivíduo que inventou o gravador. Salve o Deus que fez isto. O som desafia a morte. Como a nova geração de abelhas que surge para pôr nos óculos das vidas uma das destrezas de dona Eternidade.
16 de janeiro de 2006
Ingressos Limitados
Garanti meu ingresso ao espetáculo. Quase todos os dias o faço. Quero perscrutar a destreza do mágico. Quem sabe ele me deixa escapar a verdade do truque. Mas vou dormir todos os dias sem saber por quê.
13 de janeiro de 2006
Semana a cumprir
Mais Tempo. Abriu-se o Tempo. Agora a vida me demanda. Concluí uma porção de tempo e agora é necessário ingerir mais tempo. O sabor é redundante. Ou, às vezes, a língua é que está frígida.
Penitência
Estou sem fôlego para a Penitência. Apelei para todo Panteísmo que me é inerente. Mas está tão trabalhoso. Demando fôlego; não agüento subir morros, imagine transportar a Vida.
11 de janeiro de 2006
Fazer xixi
A todo tempo demando esvaziar a moringa. Restaurante. Discoteca. Casa. Quarto. Conheço todos os tipos de banheiro.
10 de janeiro de 2006
Mariana & Carolina
A gente rima. Uma rima implícita, claro. Não há estética a nossa semelhança. Mas a gente rima. Adoro quando você brinca... Adoro quando você é séria... Adoro o modo como você cumpre a penitência.
7 de janeiro de 2006
Assinar:
Postagens (Atom)