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17 de maio de 2009

Evolução

Por Carolina Fellet

Nascer, crescer... Manter-se bicho.
Educação é luxo!

O Sudeste brasileiro

Por Carolina Fellet

O Sudeste brasileiro aniquila as criaturas. Vejo advogados, médicos, jornalistas, joalheiros afastados das próprias idiossincrasias. E empedernidos sob um discurso postiço. Em contrapartida, o nordestino e o sulista, em quase tudo que fazem, passam humanidade. Não sei dizer por quê.

7 de abril de 2009

A culpa é da banda larga


por Carolina Fellet


Os sentidos estão tontos,

porque, desde o primeiro gene humano

até pouco tempo atrás,

estava-se acostumado com a velocidade normal das circunstâncias.

E houve um rompimento.


Os sentidos estão atônitos,

já que a fala deu uma acelerada postiça,

e os ritmos agora se baseiam em batidas de corações enfartantes.


Neste incipiente século XXI,

de tanta sobrecarga,

os olhos são também ouvidos.


Agilidade perante o semáforo.

Dois dias para produção e entrega da monografia.

30 respirações orientais para evitar o colapso dos ímpetos.


No fim do dia, o balanço

são órgãos supurados:

hepatITE, enxaquECA, lordOSE.

12 de março de 2009

EUA e Alemanha: jovens matam e se matam


Por Carolina Fellet
Não foram episódios sem precedentes, afinal, tanto nos EUA como na Alemanha já houve casos de mortes sucedidas pelo suicídio do assassino. Como já se cogitam por aí, talvez a própria exibição pela mídia desses ocorridos é que incite as pessoas a praticar atrocidades.
Tudo bem! Isso pode até proceder. A televisão, principalmente, por ser muito verossímil, traz as circunstâncias para bem perto das nossas retinas e as torna (circunstâncias) reais e viáveis de acontecer com qualquer um de nós. Isso acaba, por vezes, alimentando nossos ímpetos e os enaltecendo a atitudes.
No entanto, o motivo principal que leva jovens norte-americanos e europeus à matança e ao suicídio é a repressão aliada ao perfeito funcionamento da esteira social.
Desde bebês, os americanos se contêm. Não se ouvem barulhos nos restaurantes e nas áreas públicas. Não se veem casais se beijando em público. Assim que ingressam na faculdade, é preciso que garotos norte-americanos saiam de casa. Casam-se cedo e precisam se enquadrar no esquema “família perfeita”. Aparentemente “de uma hora para outra” se rebelam através de atos como o do rapaz que matou 10 pessoas numa cidadezinha americana e do alemão que matou não sei quantos em uma escola e no itinerário adjacente a ela.
É que a tolerância deles supurou. Porque tudo de que eles precisavam ficava-lhes a postos. Tudo funciona na sociedade deles. Diferentemente da cultura no Brasil, em que se necessita lutar todos os dias para viver bem e com dignidade. Essa busca incessante do brasileiro faz bem à essência humana. A estagnação é o prenúncio do desastre.

5 de março de 2009

Patrimônio psicológico

Por Carolina Fellet
O duto mais inteligente para se chegar à Inteligência é o da convivência com as pessoas. O filme “Quem quer ser um milionário”, de Pierre Coffin, corrobora isso através das experiências vividas pelo protagonista Jamal, as quais o levaram a 20 milhões de rúpias.
Somente através da convivência, principalmente com os mais próximos e íntimos, é que consegui aprimorar sentimentos mais nobres e oprimir as reverberações de quando eu habitava a selva. Alterei meu DNA. Para melhor.
Em contrapartida, conviver com pessoas desnaturadas, que leem livros e os repetem sem ganhar porcentagem das vendas e sem contemporizar ao próprio jeito as ideias neles aprendidas, é muito chato. Não exerço tolerância com enciclopédicos. Por isso, carolinizo (sou Carolina) o que aprendo.

4 de março de 2009

Cerimonial às novas ideias

Por Carolina Fellet
Palavra nova. Novas regras da ortografia portuguesa. Estética sem precedentes. E o cérebro os aceita.
O fetinho (ideia nova), em pouco tempo, entrosa-se com os matusaléns que povoam a massa encefálica. “2+2” troca figurinha com a lembrança do tio velho e falecido. Novas regras da ortografia portuguesa enterram regras senhoras. Cemitério que visito com frequência, embora agora esteja sob o ritmo do novo povoado.

Gripe e outras mazelinhas

Por Carolina Fellet
Com tanta abundância vital para o vírus da gripe se hospedar, por que ele se aloja nas pessoas e compromete-lhes o dia-a-dia? De repente, num pensamento presunçoso – ainda bem que transgredir não se limita a fôlegos orgânicos – atinjo o Surreal. Neste, fico com uma quase-certeza de que gripar e adoecer (de outras maneiras) são chances dadas do Destino às pessoas para que elas se elevem um pouco em pensamentos extraordinários e em sentimentos mais consistentes que os rotineiros.
Quando se gripa, as prioridades mudam. O prazo de entrega da monografia dá lugar à urgência para se transplantar um pulmão. Pequenas rixas com parentes e agregados se rendem a filosofias antigas e vitalícias: quem sou eu? De onde eu vim? O que estou fazendo aqui? Para onde irei?
É saudável gripar!

1 de março de 2009

Livro e Filme (crítica)




por Carolina Fellet


Sobre o livro O Nascimento do Prazer




Quando se é criança, por a ficção ter muito mais fibra que a realidade, é relativamente fácil se chegar ao prazer. Na fase adulta, no entanto, com a necessidade de se pisar – sem desequilibrar – a esteira social, a chegada ao prazer torna-se demasiado difícil.
A estrada desconhecida e, portanto, cheia de novidades e riscos para se chegar ao prazer é que é a tônica do livro da norte-americana Carol Gilligan.
O chato do livro é que ele é feito basicamente de alusões: ora à mitologia, ora a relatos de experiências incipientes de Freud, ora a clássicos da Literatura. Esses embasamentos de que foi feito o tornam sem personalidade. O bom dele se refere a reflexões originais a que nos leva: em que um trauma pode culminar, por exemplo.




Sobre o filme Quem quer ser um milionário




Mais importante que se empanturrar de clássicos, de viagens internacionais e de idiomas complexos é permitir viver as situações de forma a lhes extrair conhecimento. Foi assim que Jamal, personagem principal de “Quem quer ser um milionário”, conquistou seus vinte milhões. Vencido um passado de perdas, inclusive a morte da mãe, e misérias, ele tem a oportunidade de participar de um jogo estilo “Show do Milhão”. Diante deste, o destino e as pessoas parecem desfavoráveis a Jamal, haja vista o estilo de vida do rapaz - “vender o almoço para conseguir a janta” - e o fato de o porta-voz do jogo-programa tentar atrapalhar as escolhas do garoto.
A grande mensagem do longa alude-se a “conviver é o melhor canal para a sabedoria”.


25 de fevereiro de 2009

Profissão: ser


Por Carolina Fellet
Se se pensar bem, ter sido materializado como gente é uma baita sorte. No entanto, muita gente passa despercebida pela própria existência. Daí, não procura refinar-se e, consequentemente, as próprias curiosidades e buscas giram em torno de fofocas, baixa cultura e o supérfluo, enfim.
Por outro lado, há aqueles que, com excesso de falta de humildade, acham que vieram à luz a partir de outra matéria-prima, e não da utilizada na composição da Humanidade. Esses humanos à parte costumam deslumbrar-se com viagens a Barcelona, com restaurantes em cujos cardápios só constam iguarias e com movimentos que vão de encontro a culturas vigentes.
Estes últimos indivíduos sofrem de uma miopia crônica em relação à deterioração a que estão sujeitos e à ignorância inerente à vida. A primeira porque, nas poses e nos acessos de vaidade, eles ignoram as idas ao banheiro para evacuar e a condição de incessante “perecer” a que estão sujeitos. Afinal, já se nasce morrendo um pouco. E, por fim, eles ignoram a própria ignorância quando se enchem se propriedade para opinar sobre qualquer assunto que seja. Nós somos outorgados a nós mesmos. Que know how a gente tem, portanto, para falar com intimidade das coisas?
As patricinhas anencéfalas, que comem qualquer culturazinha e juram ter total intimidade com ela, são caricatas. Mas quem quer se abster totalmente do universo já pré-estabelecido também o é.

24 de fevereiro de 2009

Acontece no Brasil


Por Carolina Fellet
A frequência utilizada por controladores de voo para se comunicar com pilotos estava sendo aproveitada por uma rádio pirata. Entre a programação exibida por esta, predominavam músicas da “baixa” cultura.
Numa viagem, o piloto estava à espera do ditado – pelo controlador de voo - do destino que deveria cumprir. E, eis que lhe penetra o ouvido: “quer dançar, quer dançar, coloca o bumbum no calcanhar.”
O baile funk desorganizou o esquema delicado de se chegar aos lugares através do ar. Ainda bem que existe uma colônia próspera de Sorte no território nacional.

21 de fevereiro de 2009

Escova: ( ) progressiva ( ) inteligente ( ) de chocolate ( ) definitiva


São tantas as opções de alterar o DNA das madeixas que a brasileira hesita na hora de se desnaturar
Por Carolina Fellet

Com esse tal de estica e puxa, a negação à natureza ganhou a aceitação da maioria da sociedade.
Cabelos belíssimos, sedosos e dançarinos natos, num súbito, sem prognósticos e bom senso, foram submetidos a químicas e temperaturas extraordinárias. Resultado: conforme a máxima de homogeneizar os sanduíches do Mc Donald´s, as mulheres brasileiras quiseram tornar-se iguais.
Agora, alteraram-se algumas funções dos ventos. Eles não mais embalam os cabelos dessas criaturas pós-modernas, afinal, as madeixas perderam o movimento em prol de uma estética estática.

17 de fevereiro de 2009

Juventude gadget


Por Carolina Fellet


Gadget é uma gíria atribuída a algumas inovações tecnológicas.
Estas são amigas (ou inimigas) inseparáveis dos jovens,
Porque eles não aguentam entregar-se ao silêncio interior,
Que é cheio de notícias.

E também, apresentar-se índio ao mundo
É aceitar estar à mercê de perscrutações e julgamentos alheios.

Sob o acasalamento ininterrupto entre a juventude e as máquinas,
Aquela se alimenta, veste-se, pensa, bebe e sobrevive ilhada da Vida.

Recessão mundial


por Carolina Fellet


O mundo está em crise.
Não pela má circulação do fluido econômico,
Mas devido à epidemia do luxo.

De repente,
Todos quiseram apoderar-se de castelos com lustres de cristal.

Daí, inadimplência.
Falência de bancos norte-americanos.
E, por conseguinte, convulsões mundiais.

16 de fevereiro de 2009

Conforme e desconforme


Por Carolina Fellet

Num dia dentro dos conformes,
Um desconforme:
Nada de sangria.

Climene estava grávida.
Susto incipiente,
Mas uma felicidade que se estendeu aos nove meses da gestação.

Roupinhas, quartinho, chá de bebê.
Enorme zelo para lhe escolher o nome:
João Cabral.

À medida que a criança crescia,
Os pais lhe impunham a cultura da boa educação,
Dos bons modos à mesa,
Do altruísmo.

Num dia dentro dos conformes,
Um desconforme:
Climene viu o nome do filho na manchete do jornal.

João Cabral não era um colunável do segundo caderno,
Nem um articulista de renome.
Ele fulgurava entre uma gangue que assaltava à mão armada.

A partir daquilo, a vida de Climene foi só desconforme.

15 de fevereiro de 2009

Guerra: consequências contrapondo consequências


Por Carolina Fellet


Sangrias foram imprescindíveis.

Enquanto homens se ocupavam com as batalhas,
Carência de mão-de-obra levou as mulheres ao posto deles.
Depois, declaração de direitos universais.

Mulher não deve ser tratada como “sub-”.
Agora pode impor-se,
Fazer sexo livremente
E viver decentemente.

13 de fevereiro de 2009

Adulto, criança e formação da personalidade


Por Carolina Fellet
A questão “educar filhos” na minha casa era tão natural que parecia prescindir dos esforços dos meus pais. Os ensinamentos deles funcionavam como a produção e eliminação de urina naqueles indivíduos que não têm controle dos esfíncteres. Atitudes de que era incumbida a Metafísica; isso é o que me parecia.
Há uns dias, e depois de um bom tempo inserida na fase adulta, fiquei tentando decifrar as destrezas de aranha que minha mãe utilizava para me ensinar boa postura à mesa, fino trato social e o uso necessário dos comandos da boa educação. Não consegui realizá-lo.
Não me lembro de mamãe ou papai me xingando, me chantageando, nem compensando antigos maus tratamentos com porta-malas de carro cheios de presentes. Consequentemente, aguça minha dúvida acerca da forma como eles me entrosaram com a boa educação.
“Comportar-se”, conforme recomendações póstumas à época em que habitávamos selvas e que vivíamos versados em instintos principalmente, é resultado de condicionamento.
Mamãe e papai sempre me deixaram viver de acordo com as ficções que fazem casa no cérebro infantil. E, nos tratos sociais, os ensinamentos se davam baseados em mímicas: mamãe faz, filhinha faz.
Deu certo!
Porque, depois de adulto, a cultura defendida e divulgada pelos progenitores pode ser alterada pelo nosso discernimento de gente grande.

5 de fevereiro de 2009

Para entender a sociedade

Por Carolina Fellet
Para convencer a psique a agir,
Uns se entopem de Corão, outros de Jesus Cristo, outros de Hitler.
Daí, suicídios, conformismos, sadismos.

4 de fevereiro de 2009

por Carolina Fellet



Prédios: túmulos em cujo interior moram vivos.
A vida se abstém de seu Batimento sem hesitar.
E se rende a quantidades celestiais de mármores e granitos.
Sob esses céus, cumpre as necessidades primárias para manter-se viva,
E ainda vislumbra chances de se entreter.

Acidente Doméstico II


Por Carolina Fellet
Discórdia no quarto da frente.
Alguns juram que culturas individuais irão mudar.
Querem porque querem homogeneizar temperamentos.

Diante desse achismo,
Prefiro entrosar-me com minha insignificância.

28 de janeiro de 2009

Amor ao inanimado


Por Carolina Fellet

Namorados já lhe haviam castigado o passado.
Cartas longas e telefonemas lhe confundiam os sentimentos.
Amizades duradouras e coleguismos frescos não lhe despertavam interesse.

Mas Tilê também não gostava de estar sozinha,
Porque, na rua, sentia-se muito vulnerável a observações e pensamentos involuntários dos outros.
E, em casa, acabava sendo vítima de fluxo de pensamentos indesejáveis.

Nos livros, conseguiu alterar o DNA das próprias consciências órfãs e aterrorizantes.
Do celular fez companhia inseparável.
Já que este não a deixava solitária, à mercê de olhos e sentidos versados no alheio.