Já eu... Tenho ojeriza a panela em cima de trempe ligada.
Sinto-me tão ameaçada como se estivesse diante de uma cobra pronta para inocular em mim seu veneno.
Panela é coisa viva.
Já eu... Tenho ojeriza a panela em cima de trempe ligada.
Sinto-me tão ameaçada como se estivesse diante de uma cobra pronta para inocular em mim seu veneno.
Panela é coisa viva.
por carolina fellet
É fatal: em determinado momento do dia, ela sente-se cansada da natureza humana que lhe é imposta a todo momento.
por carolina fellet
Não o guardo nas várzeas da minha memória porque as utilizo como depósito do número do meu CPF, do itinerário para a faculdade e dos dias em que faço ioga.
Os resíduos do nosso namoro de mais de quatro anos espalharam-se entre alguns de meus sentimentos mais nobres e transformaram-se em um centímetro que seja do meu progresso enquanto gente.
Obrigada por ter me apresentado à dimensão da volúpia sob a velocidade de quem quer se encantar pelo percurso. Obrigada por ter usado da sua beleza física e sentimental comigo durante o tempo em que estivemos juntos.
Perdão pelos momentos em que agi de acordo com os comandos do egoísmo e, portanto, fui-lhe injusta.
Feliz aniversário.
Agora sem presentes, sem beijinhos, sem amassos, embora com muito carinho.
Carol.
por carolina fellet
No perímetro em que ela se aloja na balada; na fila da casa lotérica; no posto de gasolina... Por onde ela passa, há sempre um oriental farejando minha irmã.
Já disse a ela que o futuro lhe reserva um vendedor de caneta-choque.
por carolina fellet
O cara com quem você saía a tratava com delicadeza e gentileza.
De repente, já que o convívio prescinde de cerimônia, ele – o cara com quem você saía – torna-se rude perante o relacionamento.
Como se o mar abstivesse de sua natureza líquida e dinâmica e sucumbisse à biologia das areias.
por carolina fellet
Numa pretensão, o vírus entrou no meu corpo como um estupro. Amanheci gripada.
...
Depois fiquei pensando:
Os vírus pegam as mulheres que eles quiserem. Afinal, até a Sandy gripa.
Quem vem para a vida sob o status humano quer ser gente, ora.
E isso implica o processo de domesticação feito pelos pais.
O que se vê, entretanto, é gente fazendo carreira profissional com a política, a qual oferece salários astronômicos em troca de poucos esforços.
Ora, ser vereador, governador, senador, presidente como empreendimento deturpa completamente a função da política – cujos benefícios a seus aliados deveriam ser meramente simbólicos.
por carolina fellet
NÃO às drogas ilícitas.
NÃO ao álcool.
SIM ao efeito colateral do antialérgico.
Para garantir a sonolência de uma noite de sonhos...
O que fazer quando a química do próprio corpo está toda empreendida na ira?
A que deus recorrer?
Roer a unha até o sabugo?
Irada, sou nula.
Somem em mim todas as possibilidades humanas.
A Independência das mulheres – se é que foi conseguida – apresenta muitas falhas.
Por um recalque trazido da antiga condição de submissão a homens machistas, mulheres pós-modernas entram para relações conjugais munidas de armas até os dentes.
Se eles querem azul, elas lutam pelo amarelo.
Se eles preferem pedir uma pizza e passar o fim de semana em casa, elas escolhem jantar fora.
Minhas contemporâneas querem levantar a bandeira da própria autonomia a partir do muque obtido com a revolta perante vidas e vidas de opressão – afinal, foram tantas as amélias.
Será que isso funciona?
É que nos jogos, geralmente, nossos corpos é que eram o alvo da bola.
E o que é que eu faria com meu instinto de autopreservação?
Nunca consegui superá-lo.
por carolina fellet
Se por conta própria a natureza já se excede – haja vista, nas bancas de supermercado, as frutas, verduras e legumes com tamanhos exagerados –, imagine quando as siliconadas estiverem mortas e seus respectivos silicones precisarem ser degradados?
por carolina fellet
Que eu consiga contornar situações difíceis. Se não me for possível, que eu caminhe carregando-lhes o peso, a fim de alcançar um músculo rígido que me deixe potente o bastante para resistir à natureza das circunstâncias.
por carolina fellet
A natureza me trapaceou.
Desde que “fiquei mocinha”, aos 11 anos, estou esperando a manifestação dos bustos e quadris.
Já se passaram 14 anos e eu continuo usando sutiã menina-moça.
O da dona Silvana é um gourmet, afinal ela só pensa em hamburger, lasanha, canelone.