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26 de junho de 2011

24 de junho de 2011

Retrô

Subitamente, as águas da memória me levam à casa da vovó.
Lá, meus olhos são arremessados às cadeiras da varanda. As almofadas são vermelhas e a samambaia-portuguesa está cada vez mais revigorada. Lembro que é domingo e, na segunda-feira, o Civilizado me impele. As perspectivas daquela criança, que é fóssil em mim, me aniquilam a Vida. Enfim, o despertador me obriga a ir para a guerra.

20 de junho de 2011

16 de junho de 2011

Vã comparação

A gente acha que computador é imprevisível como as sinapses. Mas ele é matemático... Marcado como a música "Bebida é água/Comida é pasto/Você tem sede de quê/Você tem fome de quê".

17 de maio de 2011

Memória auditiva

por carolina fellet

A memória do barulho da gaveta se arrastando enquanto abre me leva a espasmos de infância. Tempo irreversível, fossilizado. Vida transformada em química de melancolia.

5 de maio de 2011

Cesar Romero

PRÊMIO LITERÁRIO

O escritor Hernany Tafuri faturou o segundo lugar no "Grande Concurso Cidade do Rio de Janeiro" com o poema "Batalha". Foram inscritos 2.383 trabalhos e 914 classificados. A propósito, sábado agora, na Livraria A Terceira Margem, Hernany, Carolina Fellet e Alexandre Vieira farão o lançamento do livro "Três em contos".

19 de abril de 2011

7 de abril de 2011

24 de março de 2011

Disparo

A metralhadora do Tempo dispara reações dentro de mim:

Diante do rato, asco.

Sob a iminência de encontrar o namorado, lascívia.

Perante o novo emprego, medo.

15 de março de 2011

A vida social é só uma tapeação a alguma movimentação que acontece sob o comando da Eternidade.

11 de março de 2011

Ser adulto

por carolina fellet

Bom de ser adulto

É ver o mundo

Mais próximo de seus graus originais.


Bom de ser adulto

É a chegada à autoconfiança:

Nada de grandes rebuscamentos

Que me tornem mais distante da vida.


Bom de ser adulto

É sinalizar:

Sim

Não

Feio

Bonito

Gosto

Desgosto

Emoção.

4 de março de 2011

O piano

por carolina fellet


Piano impele total atenção.


Se um bolo quente lhe passar pelo olfato,

Ou qualquer outro ato lhe abordar os sentidos,

Você não o perceberá,

Se estiver sobre o teclado de marfim.


Piano é anilina que

Rapidamente

Tinge todo o líquido transparente

Que trafega no interior da sua vida.


Piano é amante,

Confidência,

Luta diária

E o tão sonhado orgasmo.


Não sei que estatura me comporta

Quanto toco Chiquinha

Ou Zequinha.


Nunca as formiguinhas mumificadas das partituras

Chegaram a mim para me picar.


Elas querem mais é que eu as alvoroça,

Para lhes alegrar a vida parasita.

20 de fevereiro de 2011

Questionário

por carolina fellet

Onde é que o Tempo esconde a aquarela com as cores do mundo?

Que maestro chegou à conclusão do som certeiro do latido?

Como as formigas descobriram a barata morta dentro da minha cozinha e por que resolveram fazer-lhe uma procissão fúnebre?

Por que as lagartixas não se assumem lagartixas e se entrosam com o mundo humano?

Por que as baratas têm movimentos tão aleatórios e nos assustam com tamanha imprevisibilidade?

Quem descobriu que o beijo sintetiza porções de libido?

Qual será o barulho que minha audição não alcança?

Por que todo domingo meu corpo produz melancolia?

1 de fevereiro de 2011

Lagartixa

por carolina fellet

Não bastasse a textura molenga da lagartixa, ela desliza sonsamente pelas paredes e superfícies, além de pular como sapo.
No meu corpo: química do asco!

por carolina fellet

Política como profissão?

Prefiro minhas ficções:

Dolores, de Nabokov. Policarpo Quaresma. Madame Bovary.

24 de janeiro de 2011

por carolina fellet

Aquela garota dócil, que estava sempre na iminência de explodir alguma lágrima está sumida do meu íntimo. Química de arrependimento é coisa que não mais transita pelo meu sangue.

18 de janeiro de 2011

por carolina fellet

Ele é desses palhaços de hospital, que desabrocham flor-de-lótus em crianças condenadas por alguma doença.

Na maleta de ‘doutor da bagunça’ carrega artefatos cheios de recursos visuais e os manipula, além de fazer performances com o corpo e com a nesga de alegria – sua companheira de missão.

Mas dentro da variedade do próprio íntimo, é pai de uma melancolia ainda criança; que lhe exige muito.

17 de janeiro de 2011

Todo dia

por carolina fellet

Não podendo escapar do redemoinho da rotina, ela passa a tarde na frente do computador.

Naquela segunda-feira, a visão periférica esquerda fora violada por um movimento incomum.

É que no terreno baldio que lhe fazia fronteira com a vista, havia um senhor pequenininho, com boné e blusa de propaganda de político fazendo a capina.

Ele parecia ter vindo para a vida daquele tamanho, exercendo aquela atividade, tamanha era sua integração com o trabalho.

1 de janeiro de 2011

Pós-ceia

Depois da ceia de réveillon, o pum da garota estava letal.

Afinal, o organismo dela não está acostumado a metabolizar tanta comida.

29 de dezembro de 2010

A alguém especial

A partir das habilidades com que meus pés roçam a vida,

Reconheço texturas, temperaturas, prazer e dor.

Sou cheia de ciência para recepcionar o Mundo,

Embora Ele nunca se revele inteiro a mim.

Já fui toda fruta – bendita descoberta da maçã.

Já fui toda tristeza,

No momento em que o tempo viu-se incumbido

[de instituir em mim a química da decepção.

Já fui enganada por finas lâminas de gelo,

Mas já visitei outra dimensão – sem avião nem nada –

Apenas me submetendo a radiações de inteligência alheia.

Deus às vezes se excede através de trovões letais.

E também se supera (ou supura) por meio de uma sinapse caprichada

Cujo produto chega inteirinho para mim.

Pronto para o consumo imediato.