Há tanta coisa institucionalizada que não faz [o menor] sentido:
Ar-condicionado no talo em UTIs com pacientes seminus
Lua de Mel no verão
Ovelhas nos trópicos.
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2 de outubro de 2014
3 de abril de 2014
25 de fevereiro de 2014
16 de janeiro de 2014
6 de janeiro de 2014
2 de janeiro de 2014
27 de dezembro de 2013
26 de dezembro de 2013
23 de dezembro de 2013
Enxágue
A equipe de saneamento urbano está enxaguando minha boca. Ingeri cadáveres agora há pouco na churrascaria.
17 de dezembro de 2013
Sobre casamento
- Pai, essas pessoas que sonham em se casar querem uma vidinha à la planilha do Excel.
- Se eu pensasse assim, você não existiria.
-Talvez sim. A essa hora eu poderia estar sob a condição de hipopótamo recém-nascido aconchegada em uma incubadora.
- Se eu pensasse assim, você não existiria.
-Talvez sim. A essa hora eu poderia estar sob a condição de hipopótamo recém-nascido aconchegada em uma incubadora.
4 de novembro de 2013
Sobre a morte
Os carros recuam no centro da cidade. Pelo retrovisor, veem as ancas largas da Emergência. Também ouvem seu grito. Estudantes voltam para casa dependurados em suas mochilas com tarefas em aberto. Vovó já não tem posse do próprio corpo. O tempo parece ter-lhe sido displicente: não há mais pressão, visão, respiração, tato, temperatura. O corpo agora é oco. A peça de carne que ficou me nutre de saudade e da sabedoria de que somos todos ventríloquos desse mecanismo antigo e ininteligível que é o tempo.
27 de agosto de 2013
Dona Mariana
Mamãe cativa os outros e passa a procuração para mim. Quando ela não está por perto, eu é que tenho que dar conta dos cativados.
24 de julho de 2013
Quadro clínico da vovó
por carolina fellet
Minha avó se transformou em uma espécie de carne do Mc Donald´s. Apesar de o orgânico insistir na vida dela, o discernimento humano já não lhe pertence.
Apelidada por alguns de Alzheimer e por outros de loucura, a doença da vovó serve de amortecedor a problemazinhos cotidianos que surgem para consumir minhas reações.
Somos incomunicáveis - eu e vovó. O código humano já não nos une. Os sons que o corpo dela produz se parecem com os dialetos dos países árabes. E a agressividade que às vezes se apossa do corpo dela me remete a selvas aterrorizantes.
Que Deus a tenha.
Minha avó se transformou em uma espécie de carne do Mc Donald´s. Apesar de o orgânico insistir na vida dela, o discernimento humano já não lhe pertence.
Apelidada por alguns de Alzheimer e por outros de loucura, a doença da vovó serve de amortecedor a problemazinhos cotidianos que surgem para consumir minhas reações.
Somos incomunicáveis - eu e vovó. O código humano já não nos une. Os sons que o corpo dela produz se parecem com os dialetos dos países árabes. E a agressividade que às vezes se apossa do corpo dela me remete a selvas aterrorizantes.
Que Deus a tenha.
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