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14 de fevereiro de 2012
Fernanda Young
13 de fevereiro de 2012
Juízo, minha filha!
9 de fevereiro de 2012
A aspirina
5 de fevereiro de 2012
3 de janeiro de 2012
Ação sem reação
A chuva poderia dar uma trégua, o sol, dar as caras nas praias... Em vez disso, eis que uma gripe se apossa do meu corpo. Iniciativa mais inútil!
2 de janeiro de 2012
O marasmo
Um paulista sai de seu cenário de guerra – aviões congestionando o céu, carros empilhados e redemoinhos de gente tentando um encaixe dentro do metrô – rumo a Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira. Ao chegar a este destino, observa os habitantes do local e se deprime com a falta de perspectiva inerente ao povoado. Passa quinze dias entregue ao marasmo e propulsionado pelo ócio inevitável. E volta para a selva de pedras feliz da vida. Enfrenta filas, brinda à solidão e pede uma pizza.
10 de outubro de 2011
Conversa de saguão de hotel
Nossos avós eram mais atenciosos com a letra L
MaLvado, iguaL e áLcool.
Falavam em compasso Bossa Nova
E choravam ao som de Frank Sinatra.
Os avós de 2050 terão aprendido a andar através de teleaula do Youtube
Comido maçã que não escurece depois de descascada
E conhecido o orgasmo pelo mouse.
À parte disso,
Uma constatação:
Para os sentidos, inventaram todas as artes
Aos ouvidos, música,
Aos olhos, literatura e imagens
Aos narizes, fragrâncias
Ao tato, texturas e mãos dadas
Ao paladar, angu?
Bem-vinda, alta gastronomia.
Minha língua também é um vasto território a ser explorado!
Portanto, ela pode se contentar com um bifinho de segunda-feira,
mas também decodificar um Fernando Pessoa da culinária.
4 de setembro de 2011
1 de setembro de 2011
Higiene pessoal
retira o aparelho-móvel da boca, escova os dentes, lava o rosto, faz xixi e se limpa, regula a temperatura da água do chuveiro, toma um banho rápido, se enxuga, passa desodorante, perfume e hidratante, veste a roupa, desembaraça o cabelo e o seca com o secador.
A higiene humana cansa!!!! Aff.
13 de agosto de 2011
Bullying: da escola para a vida toda
Magricela, baleia, espinhento, quatro olhos, cabelo Bombril. Nem Gisele Bündchen escapou de apelidos pejorativos durante a época de escola, sendo muitas vezes chamada de Olívia Palito, somaliana e saracura. Dependendo da frequência com que são ditos e da intenção de quem os pronuncia, esses chamamentos podem representar o Bullying, cujas consequências tendem a assombrar para sempre a vida de suas vítimas.
10 de agosto de 2011
O veredicto
Maninha voltou da viagem e trouxe para mim 44 presentes.
Fiquei super-radiante.
18 de julho de 2011
Sobre o bem sempre vencer
17 de julho de 2011
Ser demitido
Broto sem perspectiva de maturar em flor
Beijo seco entre doentes de UTI
Sexo de prostituta
Torta de brigadeiro diet
Rio de Janeiro nublado
Cão domesticado
Leão de circo
Desafeto
Desumano
Inumano.
8 de julho de 2011
26 de junho de 2011
24 de junho de 2011
Retrô
Lá, meus olhos são arremessados às cadeiras da varanda. As almofadas são vermelhas e a samambaia-portuguesa está cada vez mais revigorada. Lembro que é domingo e, na segunda-feira, o Civilizado me impele. As perspectivas daquela criança, que é fóssil em mim, me aniquilam a Vida. Enfim, o despertador me obriga a ir para a guerra.
20 de junho de 2011
16 de junho de 2011
Vã comparação
17 de maio de 2011
Memória auditiva
por carolina fellet
A memória do barulho da gaveta se arrastando enquanto abre me leva a espasmos de infância. Tempo irreversível, fossilizado. Vida transformada em química de melancolia.
5 de maio de 2011
PRÊMIO LITERÁRIO
O escritor Hernany Tafuri faturou o segundo lugar no "Grande Concurso Cidade do Rio de Janeiro" com o poema "Batalha". Foram inscritos 2.383 trabalhos e 914 classificados. A propósito, sábado agora, na Livraria A Terceira Margem, Hernany, Carolina Fellet e Alexandre Vieira farão o lançamento do livro "Três em contos".
19 de abril de 2011
24 de março de 2011
Disparo
A metralhadora do Tempo dispara reações dentro de mim:
Diante do rato, asco.
Sob a iminência de encontrar o namorado, lascívia.
Perante o novo emprego, medo.
15 de março de 2011
11 de março de 2011
Ser adulto
por carolina fellet
Bom de ser adulto
É ver o mundo
Mais próximo de seus graus originais.
Bom de ser adulto
É a chegada à autoconfiança:
Nada de grandes rebuscamentos
Que me tornem mais distante da vida.
Bom de ser adulto
É sinalizar:
Sim
Não
Feio
Bonito
Gosto
Desgosto
Emoção.
4 de março de 2011
O piano
por carolina fellet
Piano impele total atenção.
Ou qualquer outro ato lhe abordar os sentidos,
Você não o perceberá,
Se estiver sobre o teclado de marfim.
Rapidamente
Tinge todo o líquido transparente
Que trafega no interior da sua vida.
Piano é amante,
Confidência,
Luta diária
E o tão sonhado orgasmo.
Não sei que estatura me comporta
Quanto toco Chiquinha
Ou Zequinha.
Nunca as formiguinhas mumificadas das partituras
Chegaram a mim para me picar.
Elas querem mais é que eu as alvoroça,
Para lhes alegrar a vida parasita.
20 de fevereiro de 2011
Questionário
por carolina fellet
Onde é que o Tempo esconde a aquarela com as cores do mundo?
Que maestro chegou à conclusão do som certeiro do latido?
Como as formigas descobriram a barata morta dentro da minha cozinha e por que resolveram fazer-lhe uma procissão fúnebre?
Por que as baratas têm movimentos tão aleatórios e nos assustam com tamanha imprevisibilidade?
Quem descobriu que o beijo sintetiza porções de libido?
Qual será o barulho que minha audição não alcança?
1 de fevereiro de 2011
Lagartixa
24 de janeiro de 2011
18 de janeiro de 2011
por carolina fellet
Ele é desses palhaços de hospital, que desabrocham flor-de-lótus em crianças condenadas por alguma doença.
Na maleta de ‘doutor da bagunça’ carrega artefatos cheios de recursos visuais e os manipula, além de fazer performances com o corpo e com a nesga de alegria – sua companheira de missão.
Mas dentro da variedade do próprio íntimo, é pai de uma melancolia ainda criança; que lhe exige muito.
17 de janeiro de 2011
Todo dia
Não podendo escapar do redemoinho da rotina, ela passa a tarde na frente do computador.
Naquela segunda-feira, a visão periférica esquerda fora violada por um movimento incomum.
É que no terreno baldio que lhe fazia fronteira com a vista, havia um senhor pequenininho, com boné e blusa de propaganda de político fazendo a capina.
Ele parecia ter vindo para a vida daquele tamanho, exercendo aquela atividade, tamanha era sua integração com o trabalho.
1 de janeiro de 2011
Pós-ceia
Depois da ceia de réveillon, o pum da garota estava letal.
Afinal, o organismo dela não está acostumado a metabolizar tanta comida.
29 de dezembro de 2010
A alguém especial
A partir das habilidades com que meus pés roçam a vida,
Reconheço texturas, temperaturas, prazer e dor.
Embora Ele nunca se revele inteiro a mim.
Já fui toda fruta – bendita descoberta da maçã.
Já fui toda tristeza,
No momento em que o tempo viu-se incumbido
[de instituir em mim a química da decepção.
Já fui enganada por finas lâminas de gelo,
Mas já visitei outra dimensão – sem avião nem nada –
Apenas me submetendo a radiações de inteligência alheia.
Deus às vezes se excede através de trovões letais.
E também se supera (ou supura) por meio de uma sinapse caprichada
Cujo produto chega inteirinho para mim.
Pronto para o consumo imediato.
27 de dezembro de 2010
23 de dezembro de 2010
Família
15 de dezembro de 2010
13 de dezembro de 2010
9 de dezembro de 2010
Sobre ter filhos
Ter filhos é intermediar Deus ao novo, o qual é curioso, inquieto e livre para receber comandos e conhecimentos.
Conduzir um serzinho à Vida, portanto, demanda inteligência e cautela.
O que se vê, no entanto, é pai optando pela paternidade como uma obrigação civil, e não devido ao desejo de se envolver integralmente nessa missão. O produto disso são filhos vivendo suas naturezas de um jeito autônomo – como a grama, o vento, o céu – e se encalacrando com os barros das descobertas e seus respectivos tropeços.
Não menosprezando a biologia dos vegetais, eles próprios precisam ser regados de duas a três vezes por semana. Se se trata de ser humano, o comprometimento com este deve ser bem maior, porque além da subsistência ele precisa de carinho. E não dá para ser autodidata em se tratando desse tema.
Viagem para a Disney substitui ensinamento de educação e de bondade? Brinquedo supertecnológico dispensa afeto dos pais? Coração de babá tem o mesmo conteúdo de coração de mãe?
O que você, pretenso pai, tem para contar/ensinar a seu pretenso filho? Vale a pena trazer para a vida alguém de quem você será o guardião?
Tenho muita pena desses que vêm à luz seres humanos e vivem como mato; respeitando apenas a natureza que lhes convém.
4 de dezembro de 2010
O Acaso
Cumprindo a própria obrigação, o telefone ressoou. E minha sexta-feira, que até as 16h25 era grama verdinha, perdeu-se no barro.
O coração sumiu com seu maestro e ficou dissonância pura. O paladar recebeu os mandamentos do amargo para processar.
Os sentidos todos se atormentaram dentro da minha casa.
“Só o acaso estende os braços a quem procura abrigo”.
3 de dezembro de 2010
Sobre a solidão
por carolina fellet
Conforme vislumbrara, a vida não lhe estava fácil, porque a solidão – por mais que lhe trouxesse criatividade – a blindava contra desabafos, carícias e o próprio exercício do humano.
Por sorte, mantinha no apartamento onde morava a atmosfera que era dela. Os cômodos, os pertences, as comidas excediam a natureza de impessoalidade inerente a eles: tudo ali era uma extensão de Blima.
Chegar em casa todos os dias sem ter quem a aconchegasse era como se toda a natureza estivesse à mercê do nada; privada do sentido humano para recepcioná-la.
A situação se agravou e a moça solitária apelou a vizinhos e agendas antigas. Nessa busca, angariou alguns pares de ouvidos e de olhos e um pouco de atenção.
Todavia, como os donos desses materiais vitais possuíam aflições também, quase nada puderam fazer por Blima.
...
Um dia, enfurnada no laboratório das próprias químicas, ela atritou dois emplastos do corpo, reconheceu Deus dentro de si e alcançou o Supremo