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12 de março de 2012

Mais uma máxima sobre o amor

por carolina fellet

Deter a dimensão do Rio de Janeiro e confinar-se em uma mísera pocinha d´água composta pela fórmula do objeto amado. Assim é o amor.

1 de março de 2012

A testosterona dos engenheiros


Sempre pensei que os engenheiros têm mais testosterona que os não engenheiros. Isso porque hormônios determinam muitos destinos às nossas vidas: o comprimento do vestido; a pressa para conduzir um automóvel e as bochechas enrubescidas.
Optar por erguer prédios e construções é quase tão pretensioso quanto cismar ser Deus, que explode flores, mares, ares, pássaros e galáxias.

22 de fevereiro de 2012

Passeio ecológico em pleno Carnaval?

por carolina fellet

Cinco garotos. Sadios, bem-sucedidos, desfilando carro zero.
Com um ano de antecedência, planejaram a viagem do Carnaval. O destino? Um lugar famoso por oferecer ecoturismo aos viajantes.
A mãe de um deles, de repente, questionou-se:
- Engraçado esses meninos viajarem em pleno Carnaval para fazer passeio ecológico. Isso 'tá mais' para passeio ginecológico.
O Carnaval acabou, a vida voltou ao normal e a dúvida sobre aquela viagem nunca foi esclarecida.

14 de fevereiro de 2012

Fernanda Young


por carolina fellet
Acabar a leitura de um livro da Fernanda Young é como despedir-se daquela paquera não só bonita, mas cheia de alqueires contendo brotos de mistérios. Ficam as reverberações dos beijos e dos diálogos – trampolins a outras dimensões, além de uma saudade enorme. O que era bom naquele tempo presente ganha agora uma proporção de elefante. E a saudade atrelada à melancolia enfarta toda a minha possibilidade de alegria.

13 de fevereiro de 2012

Juízo, minha filha!


por carolina fellet
A tradicional recomendação de todos os pais em todos os tempos – JUÍZO, MINHA FILHA – não cabe a mim. Sou uma filha que não tem saúde para infringir os princípios que compõem o juízo. Cinco minutos de esteira já me levam à falência múltipla dos órgãos.

9 de fevereiro de 2012

A aspirina

por carolina fellet

Tomar uma aspirina. Quase nada me faz sentir tão derrotada quanto praticar esse ato.
Estou acostumada à miopia da autossuficiência, do autocontrole. De repente, uma dor chega sorrateiramente e se apossa da minha química. Mantenho-me sob a burra imponência que me é inerente. Mas as horas passam e à medida que avançam, aumentam a carga da dor. Entrego-me. Como o bandido que desiste da fuga e se rende aos policiais. Abro a gaveta. Tiro a cápsula da clausura da cartela de comprimidos e a engulo. Depois disso, atesto-me derrotada.

3 de janeiro de 2012

Ação sem reação

por carolina fellet

A chuva poderia dar uma trégua, o sol, dar as caras nas praias... Em vez disso, eis que uma gripe se apossa do meu corpo. Iniciativa mais inútil!

2 de janeiro de 2012

O marasmo

por Carolina Fellet

Um paulista sai de seu cenário de guerra – aviões congestionando o céu, carros empilhados e redemoinhos de gente tentando um encaixe dentro do metrô – rumo a Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira. Ao chegar a este destino, observa os habitantes do local e se deprime com a falta de perspectiva inerente ao povoado. Passa quinze dias entregue ao marasmo e propulsionado pelo ócio inevitável. E volta para a selva de pedras feliz da vida. Enfrenta filas, brinda à solidão e pede uma pizza.

10 de outubro de 2011

Conversa de saguão de hotel

por carolina fellet

Nossos avós eram mais atenciosos com a letra L
MaLvado, iguaL e áLcool.
Falavam em compasso Bossa Nova
E choravam ao som de Frank Sinatra.

Os avós de 2050 terão aprendido a andar através de teleaula do Youtube
Comido maçã que não escurece depois de descascada
E conhecido o orgasmo pelo mouse.

À parte disso,
Uma constatação:
Para os sentidos, inventaram todas as artes
Aos ouvidos, música,
Aos olhos, literatura e imagens
Aos narizes, fragrâncias
Ao tato, texturas e mãos dadas
Ao paladar, angu?

Bem-vinda, alta gastronomia.
Minha língua também é um vasto território a ser explorado!

Portanto, ela pode se contentar com um bifinho de segunda-feira,
mas também decodificar um Fernando Pessoa da culinária.

1 de setembro de 2011

Higiene pessoal

Às 7h30 o despertador toca. Camilinha se levanta e antes de dar início ao dia de trabalho:
retira o aparelho-móvel da boca, escova os dentes, lava o rosto, faz xixi e se limpa, regula a temperatura da água do chuveiro, toma um banho rápido, se enxuga, passa desodorante, perfume e hidratante, veste a roupa, desembaraça o cabelo e o seca com o secador.
A higiene humana cansa!!!! Aff.

13 de agosto de 2011

Bullying: da escola para a vida toda

lide

Magricela, baleia, espinhento, quatro olhos, cabelo Bombril. Nem Gisele Bündchen escapou de apelidos pejorativos durante a época de escola, sendo muitas vezes chamada de Olívia Palito, somaliana e saracura. Dependendo da frequência com que são ditos e da intenção de quem os pronuncia, esses chamamentos podem representar o Bullying, cujas consequências tendem a assombrar para sempre a vida de suas vítimas.

10 de agosto de 2011

O veredicto

Hoje fiquei oca de valores kardecistas.
Maninha voltou da viagem e trouxe para mim 44 presentes.
Fiquei super-radiante.

18 de julho de 2011

Sobre o bem sempre vencer

Fui assistir ao mais atual filme do Harry Potter com meu afilhado e, embora não tenha me interessado pelo enredo e entendido bulhufas do longa, a mensagem que me ficou foi de que o bem sempre vence o mal. Não só nesse vídeo, mas em quase todas as produções em audiovisual voltadas ao público infantil, há sempre essa ideia da prevalência do bem. Talvez haja uma intenção subliminar nisso: a de civilizar um público que será proprietário do futuro. É preciso que as crianças se tornem adultos éticos, versados em valores pautados na bondade e na justeza. Porém, a vida não funciona assim. Muitos maus indivíduos têm salários de R$100 mil, andam de carrões, comem camarão segunda-feira e morrem com requinte de caixão com vista panorâmica.

17 de julho de 2011

Ser demitido

Ser demitido é
Broto sem perspectiva de maturar em flor
Beijo seco entre doentes de UTI
Sexo de prostituta
Torta de brigadeiro diet
Rio de Janeiro nublado
Cão domesticado
Leão de circo
Desafeto
Desumano
Inumano.

26 de junho de 2011

24 de junho de 2011

Retrô

Subitamente, as águas da memória me levam à casa da vovó.
Lá, meus olhos são arremessados às cadeiras da varanda. As almofadas são vermelhas e a samambaia-portuguesa está cada vez mais revigorada. Lembro que é domingo e, na segunda-feira, o Civilizado me impele. As perspectivas daquela criança, que é fóssil em mim, me aniquilam a Vida. Enfim, o despertador me obriga a ir para a guerra.

20 de junho de 2011

16 de junho de 2011

Vã comparação

A gente acha que computador é imprevisível como as sinapses. Mas ele é matemático... Marcado como a música "Bebida é água/Comida é pasto/Você tem sede de quê/Você tem fome de quê".