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17 de dezembro de 2013

Longevidade

As filas do Banco do Brasil estão cada vez mais longevas. Peguei minha senha em 1996 e ainda tem cinco na minha frente.

Patentear

Não sei como os EUA ainda não patentearam Deus.

Tatuados

Insatisfeitos com o acabamento do corpo, solicitam mais uma mão de tinta ao tatuador.

Réveillon

Réveillon é 1cm de maior proximidade com a cova.

Reagir ao mal

Reagir mal ao mal é contribuir para a longevidade do mal.

Areia da praia

A areia da praia estoca as pegadas do vovô que hoje já é vapor.

Patrimônio

O império da pulga é seu corpo.

Ronco

O ronco do meu vizinho tem mais decibéis do que  o ensaio geral da Timbalada.

Cópula dos gatos

A cópula dos gatos parece um berçário em prantos.

Sustentabilidade

Admiro esses 'pró-sustentabilidade' que transformam a dentição em horta de alface.

Divórcio

O grande vilão dos casamentos é o ronco. Nas núpcias deviam ser acordados os decibéis permitidos durante o sono.

Jequês

Alardear os próprios méritos implica ter passado no vestibular de jequês.

Gravidez

As gatas têm filhotes de diferentes parceiros numa mesma ninhada. Ainda bem que esse fenômeno não acomete as mulheres brasileiras.

Analgésico

Bom mesmo é analgésico que nos prostra, porque poupa o corpo de seu expediente árduo de todo dia.

Sobre casamento

- Pai, essas pessoas que sonham em se casar querem uma vidinha à la planilha do Excel. 
- Se eu pensasse assim, você não existiria.
-Talvez sim. A essa hora eu poderia estar sob a condição de hipopótamo recém-nascido aconchegada em uma incubadora.

Operário padrão

Trabalhadores brasileiros são tratados como robôs - estas criaturas ocas em cujo interior instituímos a inteligência que quisermos.

16 de dezembro de 2013

Massa corporal

Com a massa corporal de algumas pessoas dá para fazer uns três seres humanos.

Vizinho

Tenho um vizinho que concentra os decibéis de todos os tenores do mundo. E ele aquece a voz aos domingos às 7h30 da manhã.

Destino

Se Deus me pousou nesta família, boa coisa eu não sou. Pusesse-me numa incubadora de rinoceronte, tudo seria mais pertinente.

14 de dezembro de 2013

Terceiro olho

Mamãe cochila tanto na frente da TV que estou pensando em comprar um terceiro olho para lhe dar. Com essa vigília postiça, ela não vai perder a semifinal do The Voice Brasil.

Proposta de emprego

Não tenho controle motor nem para untar tabuleiro, mas dia desses recebi uma cantada pertinente: 'vaga para gerente de pizzaria'.

Brasilidade II

Quer coisa mais brasileira do que refutar os calouros do Raul Gil e apreciar somente os artistas da Europa Setentrional?

Oratória

Tem gente que pega impulso para falar e produz saliva até 2050.

Calote

Achei que eu fosse levar "o calote" este ano, mas o "golpe de 2013" já está sendo retirado dos livros didáticos de história.

13 de dezembro de 2013

Eterna juventude

Estou me aproximando dos 30, mas continuo usando sutiã 'menina-moça'.

Sol

Estou esperando o próximo sol, para pôr minhas espinhas para secar.

Deus

É cômodo gostar de um Deus longínquo. Ele não lhe telefona para ler o laudo médico. Não lhe pede dinheiro emprestado. Não aciona suas reações mais vis.

Idade

A maneira mais divertida de adivinhar a idade de alguém é pela grafia.

12 de dezembro de 2013

11 de dezembro de 2013

Espírito natalino

É Natal! Papai Noel, sempre sorridente, carrega pecados capitais em si: a gula e a avareza. Já o aniversariante - esguio e sereno - em meio a rabanadas, perus, bebidas alcoólicas, presentes caríssimos, talvez repudie isso tudo e siga em missão rumo a outra galáxia.

Comida

Comida é login no paladar. É necessidade primária, mas também entretenimento. É espasmo da natureza, e arte de chefs e amélias.

Timbre

Tem timbre de voz que devia ser submetido a manutenção de áudio.

10 de dezembro de 2013

Estações

Paredes que não rabisquei na infância.
Beijos engolidos na adolescência.
...
Tenho estações arquivadas para florescer. 

Bocas

Boca sozinha não é maçã, não é palavra, nem beijo de língua. 

9 de dezembro de 2013

Concorrência desleal

A tarifa dos motéis de Juiz de Fora deve estar altíssima porque eles estão perdendo clientela para os pontos de ônibus.

8 de dezembro de 2013

Fragrância

O camarada borrifa 300 ml de perfume no corpo - quantidade suficiente para aromatizar o Plano Piloto inteiro - e decide se sentar ao meu lado durante duas horas de concerto.

Combustível

Vontade de encher o tanque com mil litros de gasolina, e ir para os lugares que não estão no mapa.

6 de dezembro de 2013

Extensão

Meu rosto devia ter uns três quilômetros de extensão, para acomodar com conforto minhas olheiras.

ABC

Quero me alfabetizar em hipopotamês, girafês, formiguês. O abecedário já deu o que tinha que dar.

Robô

Eu queria mesmo é namorar um robô, que é oco por natureza. Assim, atribuiria a ele o conteúdo pretendido de lascívia, inteligência e silêncio. Isso me protegeria de tantas (às vezes indesejáveis) variáveis humanas.

1 de dezembro de 2013

Raio X

Bom seria se a gente enxergasse as pessoas com raio x.

A idade das comidas

Comida devia vir com classificação etária

hambúrguer.... até 15 anos
damasco.... a partir de 60 anos
passa.... somente para moribundos

Brasilidade

Quer coisa mais tipicamente brasileira do que importar vocabulário e hábitos estrangeiros.

30 de novembro de 2013

26 de novembro de 2013

Polvo

Toda hora minha mãe me pede 'uma mãozinha'. Aí penso: "eu devia ter nascido polvo".

20 de novembro de 2013

Quilometragem

Se minha irmã voltar a todas as lojas a que ela promete voltar, o Caminho de Santiago será curto.

Equívoco

O autoatendimento é o grande barato das megalojas. Numa dessas, cometi o pecado de solicitar um xampu para cabelos oleosos. A atendente proclamou os benefícios do produto de A a zinco. Saí de lá convertida.

Juiz de Fora

Falta gentileza no trânsito, bom atendimento no comércio, as pessoas leem sua roupa na rua, ninguém se cumprimenta. Será que o problema da minha aldeia representa o mundo?!Queria me refugiar numa incubadora de rinoceronte.

16 de novembro de 2013

Caramelo

O caramelo que comi agora há pouco derruba até restauração do teto do Cine-Theatro Central.

14 de novembro de 2013

Paquera

Aí você vai da fase 1 até a fase 30 antes de sair com o paquera:

1) maquia-se (uma hora para esfumaçar o olho mais meia hora para passar corretivo nas erosões da pele)
2) experimenta o guarda-roupa inteiro e opta pelo vestido que ainda está úmido no varal
3) seca o cabelo e homenageia a Dona Florinda até o último minuto antes de ir ao encontro do garoto
4) borrifa 300 mililitros de fragrância no pescoço - e aromatiza o Plano Piloto inteiro
...
30) vence o percurso "carro-ponto de encontro' suspensa (efeito salto 15 cm) 
para, no final da saída, o camaradinha lhe dizer: 'gosto de você porque você é inteligente'. 

Próxima saída: cara lavada, moletom e chinelo da vovó.

10 de novembro de 2013

Lanchinho

Lanchinho franciscano de hoje: uma pizza inteira, um cigarrete, uma coxinha, uma porção de frango, uma porção de batata frita, 300g de sorvete, quatro bombons.

Estatura

Voltamos a morar provisoriamente no apartamento onde nascemos - eu e meus irmãos. Há poucos dias meu pai refletiu: "Mas tinha tanto espaço aqui naquela época. Não entendo o aperto de hoje". Eu esclareci: "naquela época, tínhamos 20, 30 centímetros, pai. Hoje, temos 1,70; 1,80"

4 de novembro de 2013

Sobre a morte

Os carros recuam no centro da cidade. Pelo retrovisor, veem as ancas largas da Emergência. Também ouvem seu grito. Estudantes voltam para casa dependurados em suas mochilas com tarefas em aberto. Vovó já não tem posse do próprio corpo. O tempo parece ter-lhe sido displicente: não há mais pressão, visão, respiração, tato, temperatura. O corpo agora é oco. A peça de carne que ficou me nutre de saudade e da sabedoria de que somos todos ventríloquos desse mecanismo antigo e ininteligível que é o tempo. 

3 de novembro de 2013

13 de outubro de 2013

?

Todos são universais quando comem, bebem, fazem xixi, choram, riem, contraem, relaxam, enrijecem? 

12 de outubro de 2013

Profissão

Na linha de montagem, em seis anos, faz-se um médico; em quatro, um engenheiro; em cinco, um advogado; em dois, um pós-graduado. E um escritor, um pintor: um repente do Tempo?

12 de setembro de 2013

Socializemos!

A natureza humana nos impõe que socializemos. Tia Margareth vive como ostra em seu apartamento - esmagado por caixas, mofos e ar rarefeito. Subitamente, liga para parentes e jorra-lhes cinco anos acumulados de claustro.

Idade

Aproximei o couro cabeludo do espelho. Identifiquei uma pequena safra de fios brancos. Início do fim? O sorriso espontâneo agora implica marcas de expressão nas bochechas e nas adjacências dos olhos. Início do fim! Já há listas de cremes anti-idade para a minha idade. O corpo repudia as guloseimas: acessos de indigestão. O que não é expelido fossiliza-se nos quadris - estes antes tão magrinhos; quase imperceptíveis. Várias vezes me proferem como "senhora". Em se tratando de amor, porém, permaneço banguela. Não a "banguelice"do que já está perecendo à beira da morte. Mas a do que acaba de vir à luz. 

27 de agosto de 2013

Dona Mariana

Mamãe cativa os outros e passa a procuração para mim. Quando ela não está por perto, eu é que tenho que dar conta dos cativados. 

15 de agosto de 2013

Decibéis

Nosso ouvido brasileiro está acostumado ao cara da pamonha. Introduzir Liszt no playlist é reprimir nossa vibração auditiva. 

12 de agosto de 2013

5 de agosto de 2013

16h

Compromisso às 16h?

Quero o tempo da vida:
derretimento de geleira,
formação de célula-ovo.

Cabelos brancos

Quanto resíduo de vida arquivam os cabelos brancos?

Genoma

Quanta etnia carrego neste corpo altamente perecível? Deixe o preço da análise de genoma humano baixar, para eu acessar meus ancestrais.

24 de julho de 2013

Quadro clínico da vovó

por carolina fellet

Minha avó se transformou em uma espécie de carne do Mc Donald´s. Apesar de o orgânico insistir na vida dela, o discernimento humano já não lhe pertence.
Apelidada por alguns de Alzheimer e por outros de loucura, a doença da vovó serve de amortecedor a problemazinhos cotidianos que surgem para consumir minhas reações.
Somos incomunicáveis - eu e vovó. O código humano já não nos une. Os sons que o corpo dela produz se parecem com os dialetos dos países árabes. E a agressividade que às vezes se apossa do corpo dela me remete a selvas aterrorizantes.
Que Deus a tenha.

12 de julho de 2013

Democracia

Um dia, o corpo democrático(?) do boi passa a ser hierarquizado:
o filé mignon vai para a mesa do grã-fino; a chã, do remediado e o músculo, para a Sopa dos Pobres. 

7 de julho de 2013

Constatação

O voo incorpora-se no pássaro.
O som rebenta na audição.
Faculdades materializam dentistas
e otorrinolaringologistas.

2 de julho de 2013

1403 fundos


Três posturas ancestrais quase universalizam os homens: deitado, assentado e de pé. Sula, por um instante, põe à prova a própria memória articular. Com as mãos, apoia-se no chão e com os cotovelos apontados para as laterais do corpo, sustenta as pernas penduradas. 
A estampa configurada remete o espectador a uma manobra da natureza; talvez à de uma flor antes de incorporar-se integralmente flor. 
Quem observa a moça é o voyeur do prédio adjacente, cuja fachada faz fronteira com os fundos do dela. O rapaz dispõe de binóculo e de uma avidez por espiar. Espia todos os dias os vizinhos englobados pelo seu campo visual sintético. 
Dessa vez, sem entender a paternidade do acometimento, ficou paralisado pela situação. A posição de Sula o levara à gênese do mundo; a vislumbrar a eternidade da vida e  seu incessante processo de composição e decomposição das coisas. 
Ligou-se à moça, mesmo sem lhe saber as feições e o comportamento. E as outras janelas, resguardando os seus respectivos acidentes domésticos, a partir dali foram alienadas por ele. 
*
No vocabulário da ioga, a posição executada pela garota é designada genericamente por asana. Para os não-iogues, contudo, ela é classificada como um feito ultra-humano. A estes, quem é capaz de realizá-la acessa também o mistério do voo e o desconhecimento que todas as crias do Tempo carregam consigo. 
Os cientistas desvelaram parte desse desconhecimento e o batizaram de Bóson de Higgs ou Partícula de Deus. Será mesmo que a Ciência está mais perto do oculto da vida? Será que o Tempo poderá ser compreendido pelo pixel? 
Que importa a Ciência perante um coração sequestrado pelo amor? Amor instituído involuntariamente por um esboço feminino visto através do binóculo. 
Os representantes mais rudimentares de toda a fauna conseguem perceber a presença de outros animais - inclusive a do homem - quando estes se lhes aproximam. E o humano, estranhamente, de quando em vez, é frígido diante do seu par, não sabendo as aflições, as expectativas e as desilusões alheias. De tempos em tempos, a manufatura humana - uma máquina de raio X, por exemplo, - ultrapassa seu criador e acusa angústias materializadas, sofrimentos implodidos dentro de um corpo. 
Sob uma angústia irreconhecível, João Luiz questiona-se: como serei notado por essa mulher que me trouxe a perspectiva de que somos todos ventríloquos da vida?
Subitamente, interrompendo a divagação do espião, um vendedor de biju surge na rua que separa os prédios do casal - ainda desunido. Com seu chocalho farto de decibéis, o ambulante anuncia o produto. João Luiz sente-se colado a Sula. O som os alinhara. 
*
Assim que amanhece, um helicóptero da Receita Federal decola no Aeroporto da Serrinha para executar a Operação Grifo. Quatro agentes acompanhados de uma câmera supertecnológica irão sobrevoar um condomínio de granjas próximo, a fim de avaliar se os imóveis ali construídos e em construção são compatíveis com o patrimônio declarado no imposto de renda dos proprietários. 
Duas piscinas, três quadras, 800 metros quadrados de área construída. Os músculos oculares da equipe se sobrecarregam com as dimensões e os detalhes a serem analisados. Sorte que a filmadora cumpre seu expediente com demasiada precisão e arquiva toda a construção em suas entranhas artificiais.  
Vencido o observatório, os agentes identificam primariamente o dono do mausoléu: JOÃO LUIZ PAMPLONA, 29 anos. 
*
Mais um arranha-céu está sendo construído na rua que separa o iminente casal e, enquanto o Mundo, em silêncio, dá à luz todos os dias matérias, texturas, cores e formas, erguer um mísero edifício implica muito barulho.
A paisagem sonora da vizinhança foi alterada desde as primeiras estaturas dessa construção. E Sula até prescindiu do despertador, pois toda manhã, pontualmente, um muque de peão fricciona uma lixadeira elétrica sobre o 14º pavimento da obra. 
Entoada a fricção, ela levanta-se quase como um autômato, abre a cortina e a janela e inteira-se aos poucos da hora da vida. Mune-se da parafernália exigida pelo civilizado: relógio, indumentária, fragrância, cabelo penteado, dente escovado e olhar sempre avante e segue para a redação. 
Nesse dia, um adendo à rotina: assim que abre a cortina, percebe um movimento incomum vindo da janela do prédio da frente. O pensamento incipiente: estou sob a ressaca do sono. Ela, então, esfrega os olhos e lê um coração desenhado sobre um papel branco imenso, mas reduzido pela distância. 
Amontoa a mensagem nas ações subsequentes e dá andamento aos compromissos do dia, embora ansiosa pelo seu desfecho. A expectativa alonga as horas. Sula embaralha-se nas ações mais triviais, como se intempestivamente desaprendesse a andar. Todavia, após o percurso de tropeços, eis o momento da volta para casa. 
Já dentro do apartamento, sauda brevemente a mãe e desloca-se feito onça prestes a capturar a presa para o quarto, que é fundos. Antes de abrir a janela do cômodo, tenta antever o movimento do prédio onde mora João. Mas os vidros do quarto dela são canelados e a impedem da espionagem. 
Agora livre do efeito inebriante do sono, decide abrir a janela sem mais suspense. E antes que qualquer outro movimento lhe cative a atenção, mais um cartaz rouba-lhe as vistas. Sobre um extenso papel pardo lê-se o símbolo do Facebook sucedido por João Pamplona. 
Ela não titubeia. Busca o nome na rede social, encontra-o, lhe propõe amizade e rapidamente, sem a cerimônia do mundo físico, entra na habitação cibernética de João. Deslumbra-se com a paisagem humana avistada. Se condisser com a imagem de perfil do Face, ele estará para os homens como o Arpoador está para a arquitetura natural. 
Enquanto entre vira-latas a comunicação é automaticamente legitimada no reconhecimento da espécie que os equipara, entre os humanos, há de se compatibilizar o tempo do emissor com o do receptor; o idioma e as subjetividades. 
João precipita-se e quase entope a interlocutora com informação, e após 24 mil caracteres, consegue ficar a dez centímetros de Sula. A vontade dos dois é de beijar-se. Demoradamente. Pois ambos já instituíram, no canteiro dos respectivos âmagos, uma admiração e uma atração mútuas. Agora, querem colocar no prumo os cabos de eletricidade soltos em seus corpos. Querem desovar seus instintos um no outro. 
Ainda com farelos de constrangimento, João aproxima-se mais de Sula, percorrendo os dez centímetros mais extensos de sua vida. Até que lhe alcança a boca. As duas bocas agora se chupam devagar e involuntariamente impõem goela abaixo a presença ligeira da libido - esta que fica sempre a postos de seus solicitantes.  
Depois de 120 mil caracteres, João estava dentro de Sula exercendo a prática ancestral e universal do sexo, e antes que o instinto se materializasse no gozo, o casal percebeu, com a pouca vigília imunizada contra a libido, a sintonia perfeita os envolvendo, feito os hemisférios reverenciando os dias e as noites. 
Dois meses se passaram
Como era fim de semana, o muque do peão responsável pela variação de estatura do novo arranha-céu estava bem afastado dali e das consciências que o reconheciam apenas peão.
Sula, sem o soar da lixadeira elétrica, fora acordada por outra labareda da vida: o aroma do café preparado por sua mãe Nair. 
Já na cozinha cumprimentou-a, ligou a TV e os ouvidos, imediatamente, foram infringidos pela notícia: 
João Luiz Pamplona, 29 anos, foi encontrado morto com um tiro na nuca e outro no tórax numa estrada vicinal no bairro Alpes, região sudeste da cidade. Peritos que compareceram ao local relataram que o jovem se ajoelhou antes de morrer, aparentemente para implorar pela vida. O crime teria sido encomendado por um homem que lhe devia 12 mil reais. O delegado do 4º Distrito Policial, Arzenclever Toledo, informou que o jovem era proprietário de um imóvel avaliado em 3 milhões e trabalhava com agiotagem. 
A desova de adrenalina dentro do próprio corpo marcaria para sempre a vida de Sula. Se dali a cinquenta anos, alguma doença fosse diagnosticada nela, indubitavelmente, essa descarga seria apontada como uma de suas fontes primárias. 
Um mês depois
João Luiz estava em processo de decomposição e seus escombros, empenhados . O filho em formação no ventre de Sula era o prenúncio da eternidade do jovem na Terra; era a vasta memória do tempo que passa adiante o passado com seus códigos fatais.
Carolina Fellet

20 de fevereiro de 2013

Depois de me entupir de notícias, eis o 'resumo' do dia:

Assalto a joalherias
Empresas-fantasma
Patricídio e matricídio
Mestrado para estelionatário 
-
Um salve 
para a inocente braveza do rinoceronte.

23 de agosto de 2012

30 de maio de 2012


Feira livre: a Natureza e suas silhuetas dispostas a compromisso
Feira de livros: a Ideologia e suas letras dispostas a compromisso

2 de maio de 2012

Matemática

Solução de problema de uma máquina:


3x(23+45y) ÷ 4z(15-33k)


Decodificação da existência de uma lesma:


∞